Publicado em 27 de abril, o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial mostrou um avanço de 11% na proporção de vagas preenchidas por mulheres no mercado de trabalho em âmbito nacional. Apesar do aumento da participação feminina, houve ligeiro retrocesso no que se refere ao rendimento médio recebido pelas trabalhadoras em relação aos homens, passando de 20,7% para 21,3%, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Conforme determina determina o Decreto nº 11.795/2023, publicado em novembro para regulamentar a Lei nº 14.611, de 2023, que estabelece a obrigatoriedade de igualdade salarial entre mulheres e homens, órgão publica o estudo com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), desde o 1º semestre de 2024.
O relatório indica que a desigualdade é menor em empresas de menor porte e diminui conforme aumenta o nível educacional das ocupações. Esses dados explicam, em parte, por que a disparidade no setor de atividades jurídicas, contabilidade e auditoria, é bem menor do que em outros que compreendem ocupações que exigem menor grau de escolaridade. Ainda assim, a remuneração média dos homens no segmento (R$5.656,64) ainda é 14,2% maior que a das mulheres (R$ 4.852,08) e o segmento ocupa o 41º lugar nesse quesito, dentre os 86 analisados, ainda que seja o 6º com maior proporção de mão de obra feminina (65%).
A existência de políticas de incentivo à contratação de mulheres nas empresas é outro recorte importante do relatório. Nas atividades jurídicas, contabilidade e auditoria o índice chega a 42,5%, sendo o 5º setor com maior proporção de empresas que adotam essas políticas, contra 27,3% em âmbito geral.
“A mensuração sistemática dessas informações é indispensável para apontarmos a necessidade da revisão de estruturas remuneratórias, o fortalecimento de práticas de compliance e governança, o aprimoramento das políticas de gestão de pessoas e o desenvolvimento de ações públicas capazes de reduzir as assimetrias historicamente observadas entre as remunerações masculina e feminina no mercado de trabalho”, afirma Sérgio Porciúncula, coordenador da Comissão CRCPR Normas Contábeis e ESG.
O estudo aponta ainda que essa disparidade se mantém de forma estrutural, atravessada não apenas por questões de gênero, mas também por recortes raciais, nível hierárquico e acesso a cargos de liderança. No setor das atividades jurídicas, de contabilidade e auditoria, a disparidade salarial entre homens e mulheres em cargos de gestão atinge 10,3%. Com relação às promoções a cargos gerenciais direcionados às mulheres, a porcentagem alcança os 74% no segmento, enquanto no Paraná o número chega apenas aos 35,4% entre as empresas analisadas.
“A disparidade de renda em nossa área é um reflexo da misoginia e do racismo que persistem em nossa sociedade. Nosso desafio enquanto Conselho é combater ativamente o racismo e o machismo, trabalhando para reduzir essa disparidade e outros efeitos colaterais em nossa profissão e em nossas áreas de atuação”, destaca Fabian Algarte da Silva, coordenador da Comissão CRCPR Equidade e Diversidade.
CRCPR Mulher e a promoção da igualdade de gênero
O Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR) possui uma longa tradição de iniciativas voltadas à valorização da participação feminina e ao incentivo à igualdade no ambiente profissional, tendo sido um dos primeiros CRCs do país a ser presidido por uma mulher, a contadora Lucelia Lecheta (2013-2015). Nesse sentido Comissão CRCPR Mulher foi uma das primeiras comissões temáticas instituídas pela autarquia, no início dos anos 2000. Essa história encontra-se documentada no e-book Contabilizando nossa Trajetória, lançado em 2025 em comemoração aos 22 anos do CRCPR Mulher.
"Esta obra sintetiza o quanto lutamos pela representatividade feminina na nossa profissão", disse a contadora Denisa Maria Borçato, atual representante do Paraná na Comissão CFC Mulher, que coordenava o grupo estadual à época da finalização do livro digital.
As ações do CRCPR em prol da equidade de gênero na Contabilidade paranaense estão alinhadas às diretrizes do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), do qual é signatário, e relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - ODS 5.
Neste âmbito, o CRCPR atua com políticas para suas funcionárias e colaboradoras, como licença maternidade estendida, Cartilha de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio, assim como pesquisas e incentivos à participação feminina em cargos de liderança, além de ações contra a violência contra a mulher, como a participação da Comissão CRCPR Sustentável na 3ª Caminhada do Meio-Dia – Paraná Unido contra o Feminicídio.
A atuação entidade vai muito além do ambiente organizacional, promovendo e sedia eventos voltados à valorização e à participação feminina na Contabilidade e na sociedade em geral. Entre as iniciativas estão o Encontro Paranaense da Mulher Contabilista, que teve sua 6ª edição realizada em Curitiba em 2026, ações em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, Dia da Mulher Empreendedora, Dia das Meninas e Mulheres na Ciência, entre outras, além de eventos e palestras presenciais e virtuais que debatem temas relacionados à atuação da mulher na profissão e ao empreendedorismo, e várias e outras atividades voltadas ao fortalecimento da presença feminina na área contábil.
Na atual gestão (2026-2027), a Comissão CRCPR Mulher, segue incentivando a participação das mulheres contabilistas na vida profissional, social e política do país, sob a coordenação da contadora Sirlene Alves Siqueira, de Paranavaí.
“É inacreditável que, nos dias de hoje, ainda nos deparemos com desigualdades salariais entre homens e mulheres na contabilidade. Essa realidade evidencia o quanto ainda precisamos avançar em equidade e valorização profissional. Para isso, atuação da Comissão CRCPR Mulher é fundamental, dando visibilidade a essas questões e trabalhando em favor de um cenário em mais justo e igual para todos”, pontuou Sirlene.
5° Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios
Aapresentado em caráter nacional, o relatório abrange diversos setores da economia, considerando aproximadamente 53 mil empresas com cem ou mais empregados, comparando dados referente aos anos de 2023 e 2025. No segmento que reúne contabilidade, auditoria e atividades jurídicas, 173 estabelecimentos foram analisados, com mais de 44 mil vínculos no total. As informações foram organizadas a partir das categorias de homens — subdivididos em negros e não negros — e mulheres, também segmentadas da mesma forma, em âmbito nacional. Ao todo, foram considerados aproximadamente 19,3 milhões de vínculos empregatícios, dos quais 41,4% correspondem a mulheres.
Com informações do Ministério do Trabalho e Emprego e G1.
Reprodução permitida, desde que citada a fonte.