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Prefeito pode tudo? Entenda limites do cargo e fique atento às promessas

Por 25/08/2016 00:00

Prefeito pode tudo? Entenda limites do cargo e fique atento às promessas











Administrar o município pouco dinheiro e ações limitadas. Essa é a realidade da maioria das prefeituras brasileiras, vítimas das regras que definem a distribuição dos impostos entre os estados, municípios e União, o chamado pacto federativo.

No Brasil, esse pacto foi definido pela última vez na Constituição de 1988 e levou a uma grande concentração de recursos nos cofres do governo federal. Com isso, muitas prefeituras dependam de recursos da União e funcionam como meros gestores de políticas públicas definidas e financiadas a partir de Brasília.

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Essa situação deve fazer o eleitor redobrar a atenção com as promessas feitas nas eleições de outubro. É fundamental que o candidato diga de onde vai tirar a verba para tornar realidade aquilo que promete.






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Para Marta Arretche, a professora do Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), a crise econômica e o desenho do federalismo brasileiro oferecem pouco espaço para prefeitos e vereadores prometerem grandes realizações na campanha eleitoral. “Um prefeito não pode dizer que vai inovar em políticas públicas porque existem muitas restrições”, afirma a pesquisadora. “Um candidato que promete grandes obras e projetos deve dizer de onde vem o dinheiro. Se não disser, é um blefe”, acrescenta.

Segundo Arretche, que em 2012 publicou o livro Democracia, Federalismo e Centralização no Brasil, o pacto federativo brasileiro deixou o dinheiro com a União, mas descentralizou a execução dos programas. “Na área da saúde, por exemplo, um candidato não pode prometer que vai fugir muito do que existe no SUS (Sistema Único de Saúde). A não ser que a cidade tenha grande capacidade de arrecadação”, afirma.

Caixa vazio

A possibilidade de encontrar alternativas para reforçar o caixa, entretanto, é quase inexistente para a grande maioria dos prefeitos brasileiros. Segundo o pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Constantino Cronemberger Mendes, aproximadamente 90% dos municípios dependem do governo federal para pagar suas contas.

Os recursos são distribuídos por meio do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do PFM (Fundo de Participação dos Municípios), segundo critérios como índices populacionais. Além disso, outro meio de distribuição de recursos ocorre através de programas do governo federal, como os do setor habitacional.

De acordo com Mendes, atualmente os municípios ficam com cerca de 20% dos recursos arrecadados no país. Os Estados recebem aproximadamente 23%; e o restante via para o governo federal. Para se ter uma ideia dos valores, a receita líquida do Brasil em 2015 foi pouco superior a R$ 1 trilhão. “A alta dependência das unidades da federação em relação ao governo central é um grande problema do nosso pacto”, avalia o pesquisador.







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A sobreposição de ações é outro ponto negativo apontado por Mendes em relação à organização política brasileira. Ele cita o atendimento público de saúde como principal exemplo. Como nesta área a Constituição permite a participação tanto do governo federal, quanto de Estados e municípios, em muitos casos a qualidade do serviço pode ficar comprometida. “As responsabilidades concorrentes geram conflito de gestão”, afirma.

Orçamento engessado

Arretche lembra, ainda, que os orçamentos municipais são muito engessados e não deixam espaço para investimentos. De acordo com a legislação brasileira, os prefeitos são obrigados a gastar, no mínimo, 25% dos recursos públicos em educação, 15% em saúde e pelo menos 1% em assistência social.

Somados a outros gastos previamente comprometidos, como pagamento de funcionalismo e previdência social, sobra muito pouco para ser administrado voluntariamente. “As decisões orçamentárias dos municípios brasileiros são muito afetadas pela legislação federal”, explica.

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