para facilitar a limpeza. Mas para ter certeza de que o freguês percebe essa minha preocupação com a higiene, tive a ideia de mandar bordar os dias da semana no jaleco, assim dá para ver que eu troco de uniforme todo dia. Depois veio a ideia do kit de higiene – começou com guardanapo, bala de menta e palito de dente embalado, depois passou para fio dental –, pois observei que o freguês não tem onde limpar as mãos depois de comer a pipoca".
Como atrair a freguesiaLogo de início, Valdir percebeu que ter um bom ponto – Praça Tiradentes, bem no centro de Curitiba –, oferecer um produto de qualidade, feito com toda a higiene e as melhores matérias primas – desde o começo só usa marcas líderes de mercado, milho argentino, que não deixa casquinha dura presa entre os dentes, óleo de girassol, bacon tipo exportação, etc. – não era suficiente para as pessoas escolherem comprar pipoca em seu carrinho. Depois de amargar vendas de apenas 17 saquinhos na primeira semana e 20 na segunda, partiu para uma pesquisa de mercado: "observei que o movimento da concorrência era principalmente de pessoas que circulam todos os dias pela praça. Aí mandei fazer convites personalizados e, antes de abrir o carrinho, comecei a circular pelas grandes lojas da região e oferecer esses convites, que davam direito a uma pipoca grátis, aos vendedores mais atenciosos, dois ou três de cada loja. Em 15 dias já tinha fila no meu carrinho nos horários de intervalo para lanche dessas lojas", relata.
E foi assim, de inovação em inovação, investindo religiosamente 30% de sua receita em melhorias e divulgação, que Valdir começou a chamar a atenção de empresários e consultores na área de gestão. A atuação como palestrante começou pelas mãos de um consultor do SEBRAE, mas foi sendo alavancada por mídia espontânea, primeiro por matérias em veículos especializados em gestão e recursos humanos. Depois, nos de interesse geral. "Quando saiu a matéria na Veja, minha agenda ficou lotada por mais de um ano", comemora. Outro marco em sua carreira como palestrante foi a participação no programa da Ana Maria Braga. Mais recentemente, a Pipoca do Valdir mereceu uma reportagem com mais de cinco minutos de duração no programa Fantástico.
Atualmente, o carrinho é operado por sua esposa, seu filho e sua nora. "Comecei tendo como referência o padrão McDonalds, mas hoje acho que eles têm até algo a aprender comigo, pois em meu carrinho a pessoa que recebe o pagamento e dá o troco não manipula a pipoca e, depois de pagar, o freguês recebe álcool gel para higienizar as mãos antes de comer", ensina. "Já são mais de 140 inovações implementadas em um carrinho de um metro quadrado", costuma alardear, destacando o cartão fidelidade – a cada cinco pipocas, a sexta é grátis e a venda antecipada – o cliente paga 10 e ganha duas grátis – que garante o movimento do carrinho mesmo nos dias distantes da data de pagamento dos salários dos clientes habituais.
"Durante a Copa, viramos até ponto turístico." A prefeitura colocou a parada da linha Turismo da Praça Tiradentes próxima ao carrinho e Valdir correu para se preparar para atender os turistas estrangeiros: "Aprendi a vender pipoca em inglês e espanhol", empolga-se.
Palestras, ele já fez em algumas das maiores empresas do país – a lista inclui Microsoft, Petrobras, Makro, o Boticário, Bradesco, Santander, Itaipu, Toyota, Serasa Experian, Unimed, Sage, Vivo, Burger King entre tantas outras, e frequentemente recebe sondagens quanto à disponibilidade de franquias, tendo sido consultado até por interessados de outros países. "
Ainda não", costuma dizer. Mas mesmo com todo esse sucesso, a divulgação não para. A Pipoca do Valdir tem site, Facebook e Instagram. "Além disso, todo mês faço um anúncio de página inteira para promover minhas palestras na revista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH)".