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“A Reforma Tributária exigirá do auditor uma função muito mais estratégica do que operacional”, diz palestrante do Fórum do Auditor 2025

Por Alice dos Passos Lima- Estagiária de Comunicação do CRCPR 05/08/2025 13:30

Nos dias 4 e 5 de setembro, na TV CRCPR, o Fórum do Auditor 2025 comemora 20 anos de existência com uma edição especial repleta de especialistas que discutirão temas essenciais para a atualização profissional. Ao longo de dois dias, os palestrantes falarão sobre a Reforma Tributária, fraudes corporativas, inteligência artificial e os novos papéis da auditoria no cenário global. A participação é gratuita, com inscrições separadas para cada dia.

Clique aqui para se inscrever para o primeiro dia (4/9)!

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No dia 4/9, com mediação de Jucimar Valim Nunes e Wesley Montechiari Figueira, membros da Comissão CRCPR Auditoria Contábil, a palestra “Expectativas e desafios da Reforma Tributária sobre o consumo: a experiência de modelos internacionais “será ministrada por Daniel Affonseca, fundador de empresa de auditoria e executivo sênior com mais de 20 anos de experiência em tributação e contabilidade.

Confira a entrevista a seguir com o palestrante Daniel Affonseca:

Daniel Affonseca

CRCPR Online: Qual a importância de o profissional auditor estar bem-preparado e informado frente às mudanças da Reforma Tributária?

Daniel Affonseca (DA): Absolutamente crítica e inadiável, porque representa uma das maiores transformações estruturais do sistema fiscal nacional das últimas décadas, com impactos diretos na prática de contabilidade e auditoria. Durante o período de transição (2026-2033), os dois sistemas coexistirão, criando sobrecarga operacional significativa, acompanhada de controle rigoroso de processos e sistemas, para garantir compliance em ambos os sistemas. Por isso, todas as iniciativas que serão implementadas pelas empresas, incluindo simulações tributárias, planejamentos fiscais estratégicos, adequação de contratos e outros, exigirão do auditor uma função muito mais estratégica do que operacional. Nesse sentido, além do entendimento da nova lógica de tributação no destino, não-cumulatividade plena e gestão de créditos tributários, o auditor vai precisar dominar sistemas integrados, tecnologia fiscal e análise de dados em tempo real. 

CRCPR Online:  A Reforma Tributária tem gerado muitos debates e análises de mercado. Quais pontos podem criar potenciais riscos na implementação efetiva da Reforma?

DA: Como já presenciamos na história tributária recente no Brasil, pode haver um impacto desproporcional da Reforma para o setor de serviços, que tem estrutura de custos baseada principalmente em folha de pagamento. O aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva nesse setor não está tão claro quanto o efeito no setor industrial. Ou seja, apesar do amplo descontentamento sobre o aumento dos custos de conformidade relacionados à Reforma, não está evidente quais seriam os investimentos tecnológicos necessários para a adaptação inicial, bem como para os períodos subsequentes. Ter este entendimento evitaria o desembolso financeiro irracional, que sugere um cenário em que todas as empresas brasileiras tivessem a mesma atividade e o mesmo tamanho. Nesse sentido, o “split payment” é um exemplo de sistema legalmente previsto para todas as empresas, porém de difícil implementação para empresas menores que já carecem de estrutura tecnológica adequada, o que as colocará em desvantagem perante empresas maiores, no mesmo setor de atuação. Por fim, entendo que as discussões em torno da gestão compartilhada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) devem aumentar, principalmente em relação à inerente criação de complexidades administrativas entre estados e municípios, com conflitos de competência, harmonização de procedimentos fiscais e coordenação entre os cerca de 5.500 municípios brasileiros, representando desafios operacionais gigantescos.




Reprodução permitida desde que citada a fonte. 



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