RESUMO: O 10º Seminário Paranaense de Perícia Contábil abordará os impactos e as aplicações da inteligência artificial na atividade pericial, destacando oportunidades, desafios e responsabilidades profissionais relacionadas ao uso dessas ferramentas. Promovido pelo CRCPR, o evento reunirá especialistas para discutir como a tecnologia pode apoiar a análise de grandes volumes de dados, sem substituir o julgamento técnico e a responsabilidade do perito.
O 10º Seminário Paranaense de Perícia Contábil será realizado nos dias 27 e 28 de agosto, com transmissão pela TV CRCPR, e reunirá quatro painéis dedicados ao aprimoramento dos conhecimentos dos profissionais da área. Entre os temas da programação está "Inteligência Artificial na Perícia - Atualizações", que será apresentado no segundo dia do evento pelo especialista, Carlos Chelfo. O seminário concede até 6 pontos para peritos contábeis e 3 pontos para auditores no Programa de Educação Profissional Continuada do Conselho Federal de Contabilidade (PEPC-CFC).
O painel apresentado pelo palestrante visa debater as novidades na aplicação da inteligência artificial (IA) ao trabalho pericial, além de apresentar aplicações práticas da ferramenta. Carlos Chelfo é mestre em Ciências Contábeis, especializado em Perícia Judicial; Gestão Pública; Compliance e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e possui ainda Master of Business Administration (MBA) em IA. Atualmente, o profissional coordena a Proteção ao Direito Autoral na Agência Nacional do Cinema (ANCINE).
Em entrevista ao CRCPR Online, Carlos Chelfo explicou sobre o uso da IA na atuação pericial, cuidados éticos ao utilizar a ferramenta e a importância da atualização dos peritos contábeis.
Confira a seguir entrevista com o palestrante Carlos Chelfo:
CRCPR Online: A IA já deixou de ser tendência e virou ferramenta indispensável na atuação pericial? Por que acompanhar de perto?
Carlos Chelfo (CC): Sim, e a mudança não foi da ferramenta, foi do objeto da perícia. O que chega ao perito hoje é processo eletrônico com milhares de páginas, extratos bancário em PDF, arquivos XML (Extensible Markup Language), bases de dados exportada em meio de armazenamento digital e outros. A dificuldade deixou de ser apenas o raciocínio técnico e o principal desafio passou a ser o volume de material a ser analisado, ocasionando um longo caminho a percorrer antes de proceder à análise intelectual. É exatamente aí que a IA entra, devolvendo ao perito o tempo que estava sendo consumido em tarefas mecânicas e operacionais. Acompanhar de perto é necessário por três razões práticas. A primeira é processual, os assistentes técnicos das partes, autor e réu, já usam essas ferramentas, e assimetria de tempo de resposta vira assimetria de qualidade da prova do perito do juiz. A segunda é normativa, o próprio Judiciário já disciplinou o uso de IA, o que significa que existe fronteira entre o permitido e o vedado, e quem não conhece a ferramenta não sabe onde essa fronteira passa. A terceira é o ritmo da evolução, a ferramenta de hoje não é a de dois anos atrás, e quem testou uma vez e não gostou, não voltou mais e está julgando uma versão que já não existe. Sem acompanhamento contínuo, o perito erra nas duas direções: ou subestima e perde produtividade, ou superestima e assina o que não conferiu.
CRCPR Online: Qual o principal cuidado ético e profissional no uso da IA em trabalhos periciais?
CC: A rastreabilidade e a transparência. Ambas decorrem de algo simples e direto: o laudo é assinado por pessoa física, com registro no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), e a responsabilidade do perito por dolo ou culpa, que está no art. 158 do Código de Processo Civil (CPC). Não existe, nem no processo nem na esfera disciplinar, a alegação de que a IA errou. Quem errou foi o perito. Isso se desdobra em três cuidados concretos. Sendo eles a verificação em fonte primária de tudo que for citação; o sigilo e proteção de dados; e a transparência metodológica. Delegue a tarefa, nunca o juízo. A IA pode auxiliar na redação, mas não pode responder aos quesitos e nem a conclusão do Laudo.
O palestrante Carlos Chelfo ministrará o painel "Inteligência Artificial na Perícia - Atualizações", no 10º Seminário Paranaense de Perícia Contábil
CRCPR Online: Como o painel do Seminário pode mudar a forma como os profissionais contábeis enxergam a IA?
CC: Há duas leituras opostas dominando a categoria, e as duas nascem da mesma origem, que é nunca ter visto a ferramenta operar sobre material pericial de verdade. Uma é a negação: laudo é juízo humano, logo isso não se aplica à perícia. A outra é o deslumbramento: a ferramenta faz o laudo. As duas custam caro, e a segunda pode custar o registro profissional do perito. O painel muda esse quadro quando sai da abstração e coloca a ferramenta trabalhando diante da plateia, inclusive com o erro à vista. Espero que o participante saia com três pensamentos sobre o que apresentamos. Primeiro, que ele pare de perguntar se a IA vai substituir o perito e passa a perguntar quais das suas tarefas produzem resultados que ele consegue conferir, porque essas são as que ele pode delegar. A primeira pergunta rende debate e não altera nada na rotina. Segundo, ele entender que a competência que o mercado vai cobrar não é operar a ferramenta, mas sim conferir o resultado gerado pela IA. E conferir é trabalho pericial clássico, com evidência, rastreabilidade, materialidade e amostragem. O perito já sabe fazer isso, e essa é a boa notícia da história. Terceiro, ele sai com critério, e não com entusiasmo. Critério no que entra, sabendo qual documento pode ser enviado a uma ferramenta pública e qual jamais pode sair do escritório. E critério no que volta, entendendo o que precisa ser conferido linha a linha, número a número, antes de virar resposta a quesito. Um seminário de perícia é o lugar certo para essa conversa porque aqui ninguém aceita afirmação sem prova. E no formato online é mais dinâmico ainda para quem demonstra. É essa exigência, e não a ferramenta, que define a qualidade do trabalho pericial no futuro.
Saiba mais sobre os painéis do 10° Seminário Paranaense de Perícia Contábil:
O evento é gratuito e será transmitido das 9h às 12h, em ambos os dias. O primeiro dia do evento (27) abordará em sua programação os temas "Código de Processo Civil para Peritos" e "ITP 01 – Apuração de Haveres". Já o segundo dia (28) terá, além da abordagem sobre IA, a palestra "Juros Legais".
Código de Processo Civil será tema de palestra do 10° Seminário Paranaense de Perícia Contábil, em 27/8
10º Seminário de Perícia Contábil debate a NBC ITP 01 e terá palestra do coordenador do Grupo de Estudos que elaborou a norma
Juros legais será um dos temas do segundo dia do 10º Seminário Paranaense de Perícia Contábil
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