O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) avançaram, no dia 25 de maio, nas tratativas para a construção de um acordo de cooperação voltado a ações de fiscalização e de enfrentamento à lavagem de dinheiro, ao crime organizado e a outros ilícitos financeiros em todo o país.
A iniciativa prevê atuação conjunta entre o Sistema CFC/CRCs e os Ministérios Públicos estaduais, com foco na troca de informações e no fortalecimento da integridade da atividade contábil. Durante a reunião, o presidente do CFC, Joaquim Bezerra, destacou que a atividade contábil ocupa posição estratégica na prevenção e identificação de irregularidades financeiras. “O contador pode contribuir no rastreamento do caminho do dinheiro”, pontuou.
Segundo ele, a atuação do Conselho está limitada, nesses casos, às competências éticas e disciplinares da profissão.
“Nenhuma empresa é constituída sem profissionais da contabilidade. Nós queremos ajudar nesse ponto, que é o nosso ofício, na proteção da sociedade”, declarou Bezerra.
Além do presidente do CFC, participaram do encontro o subsecretário-geral adjunto do CNMP, Michel Romano; o procurador de justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), José Eduardo Sabo; o conselheiro federal Domingos Sávio; a coordenadora de Fiscalização do CFC, Franciele Carini; e o procurador jurídico do Conselho, José Luís Gomes.
Romano, afirmou que a proposta poderá ser incorporada às iniciativas estratégicas conduzidas pelo Conselho Nacional do Ministério Público, e ressaltou que o órgão pode colaborar para a articulação institucional e a implementação de instrumentos de cooperação com os Ministérios Públicos estaduais. Para o subcretário-geral, o enfrentamento ao crime organizado e à lavagem de dinheiro está entre as prioridades atuais do CNMP. Romano reiterou ainda a importância da contribuição da contabilidade nessa agenda. “A gente agrega muito valor. E agrega valor nas pontas, onde precisamos muito”, frisou.
CRCPR é representado no grupo de Integridade Contábil
A reunião também abordou as ações desenvolvidas pelo Grupo Estratégico de Integridade Contábil, instituído pelo CFC em abril deste ano com o objetivo de fortalecer a fiscalização profissional e ampliar a atuação institucional da entidade no enfrentamento de ilícitos relacionados à atividade contábil. O inspetor fiscal do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), Carlos Alberto Jungles de Camargo, integra o grupo, que reúne especialistas com experiência em áreas como perícia, investigação financeira e combate à lavagem de dinheiro.
Ao defender o fortalecimento das ações de integridade, Joaquim Bezerra observou que o combate a irregularidades contribui para a valorização da própria profissão contábil. “Nós não temos corporativismo para a atividade ilegal”, afirmou, complementando: “Isso qualifica a profissão. Nesse processo de reposicionamento da profissão, é uma forma de elevar a confiança da própria sociedade na atividade contábil”. O presidente do CFC acrescentou que, além de proteger a sociedade, a iniciativa visa preparar, orientar e capacitar os profissionais da contabilidade “para que estejam fora desse alvo e para que ajudem a combater o crime organizado no país”, contribuindo para a promoção de ambientes financeiros mais seguros e transparentes.
Da esquerda para a direita, Eduardo Sabo (MPDFT), Joaquim Bezerra (CFC), Michel Romano (CNMP), Domingos Sávio (CFC), Franciele Carini (CFC) e José Luís Gomes (CFC).
Com informações do CFC.
Reprodução permitida, desde que citada a fonte.