RESUMO: A Reforma Tributária do Consumo e seus impactos na gestão empresarial estiveram no centro de palestra promovida pela Comissão CRCPR Contábil, Fiscal e Tributário. Conduzido pelo contador e professor Germano César Coelho, o encontro apresentou reflexos das novas regras sobre precificação, competitividade, regimes tributários e planejamento estratégico.
Os impactos da Reforma Tributária do Consumo na gestão empresarial foram tema de palestra promovida pela Comissão CRCPR Contábil, Fiscal e Tributário, no dia 27 de outubro, com foco nas mudanças que deverão influenciar o planejamento tributário, a formação de preços e a competitividade das empresas nos próximos anos.
A apresentação, disponível na TV CRCPR, foi feita pelo professor e contador Germano César Coelho, especialista em gestão de negócios e contabilidade, com atuação em direito tributário, que integra a Comissão do CRCPR. A mediação foi realizada pela conselheira e coordenadora da Comissão, Angelita Roza.
Foram discutidos os efeitos da transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e o Imposto Seletivo, além do aproveitamento de créditos tributários, da revisão dos regimes de tributação e das estratégias para adequação das empresas às novas regras.
Precificação e lucratividade em foco
Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de revisar a formação de preços diante das mudanças na tributação sobre o consumo. Segundo Germano, a Reforma não deve ser analisada apenas pelo valor dos tributos, mas também pelos reflexos na margem de lucro e no fluxo de caixa das organizações.
“A Reforma Tributária não é somente sobre tributos. Ela mexe com margem de lucro e com o caixa das empresas”, destacou o palestrante.
O professor recomendou a realização de simulações individualizadas, considerando custos, despesas, créditos tributários e posicionamento de mercado. A ampliação das possibilidades de aproveitamento de créditos também foi discutida. Embora represente uma oportunidade para determinadas operações, o mecanismo exige atenção às regras de apuração e à organização das informações fiscais, além de acompanhamento dos impactos sobre o caixa.
Simples Nacional e preparação para a transição
Outra discussão pontuada foi a avaliação do regime tributário mais adequado para cada empresa, especialmente diante das decisões relacionadas ao Simples Nacional em 2027. A análise deve considerar não apenas a carga tributária, mas também a formação de preços, a competitividade e as relações comerciais com clientes e fornecedores.
A palestra também abordou as etapas de implementação da Reforma e os desafios operacionais associados à adaptação dos sistemas empresariais. Entre os pontos de atenção apresentados estavam o tratamento dos estoques, a apropriação de créditos tributários, os procedimentos relacionados aos documentos fiscais e as possíveis consequências financeiras de inconsistências no cumprimento das novas regras.
“As empresas vão precisar também fazer uma análise do preço dos seus fornecedores, nos preços, nos regimes tributários dos seus fornecedores”, explicou Germano.
Contabilidade consultiva ganha relevância
Ao tratar das oportunidades trazidas pela Reforma, o palestrante enfatizou que a atuação dos profissionais da contabilidade pode ir além do cumprimento das obrigações fiscais. A análise dos dados financeiros e tributários permite apoiar decisões estratégicas, identificar riscos e contribuir para a sustentabilidade dos negócios. Entre as recomendações apresentadas estiveram a revisão dos preços, o diálogo com clientes e fornecedores, a busca por eficiência operacional e o planejamento antecipado das mudanças.
“Não deixe que a Reforma tributária seja uma ameaça, mas seja uma oportunidade para quem se antecipa”, concluiu o palestrante.
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