RESUMO: O Fórum de Coordenadores e Professores 2026 reunirá, em 15 de outubro, especialistas para debater os desafios contemporâneos da docência contábil, com foco em temas como saúde mental, produtividade acadêmica e formação profissional. Promovido pela Comissão CRCPR Ensino/Jovem, o evento abordará estratégias para conciliar desempenho, qualidade do ensino e bem-estar docente diante das transformações tecnológicas e educacionais.
Alusivo ao dia dos professores, a Comissão CRCPR Ensino/Jovem promoverá, na próxima semana, em 15 de outubro, evento voltado à capacitação de profissionais envolvidos na docência contábil, visando debater sobre os desafios e as novas possibilidades de ensino na contabilidade. O Fórum de Coordenadores e Professores 2026 será transmitido na TV CRCPR e contará com três painéis ministrados por palestrantes de referência. Entre os temas que serão discutidos durante a programação, está "Carreira docente em Contabilidade: produtividade sem esgotamento", que será apresentado pelo professor Sérgio Paes de Barros, doutor e mestre em Psicologia Social e do Trabalho, e pela professora Sirlene Siqueira Alves, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia e coordenadora da Comissão CRCPR Mulher.
Barros é psicólogo com atuação voltada à estudos e à ações voltados à saúde mental de trabalhadores e estudantes. Já Alves é especialista em Controladoria, Gestão Financeira e Auditoria, em Recursos Humanos, em Educação a Distância e em Administração e Gestão Tributária. Além disso é coordenadora do curso de Ciências Contábeis e de Administração do Centro Universitário UniBF (UniBF), do Centro Universitário do Grupo Fatecie, (UniFatecie) e da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR).
Os palestrantes discutirão ao longo de seu painel os caminhos para conciliar produtividade acadêmica, qualidade nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, além do bem-estar docente. O tema visa promover reflexões acerca de práticas e estratégias que favoreçam uma carreira sustentável, equilibrada e alinhada às exigências da vida acadêmica contemporânea. A participação no encontro valerá 1 ponto para auditores, peritos, *PROGP e PRORT no Programa de Educação Profissional Continuada do Conselho Federal de Contabilidade (PEPC-CFC).
Em entrevista ao CRCPR Online, os profissionais abordaram alguns dos tópicos que serão apresentados durante o evento, como carreira docente produtiva, qualidade da educação e perfil de carreira.
Confira, a seguir, entrevista com o palestrante Sérgio Paes de Barros:
CRCPR Online: O que significa, na prática, ter uma carreira docente produtiva sem esgotamento?
Sérgio Paes de Barros (SPB): Significa compreender que produtividade não é sinônimo de excesso de trabalho. Uma carreira docente saudável é aquela em que o professor consegue produzir conhecimento, ensinar, orientar alunos, participar de projetos e contribuir institucionalmente sem que essas atividades ocupem permanentemente todo o seu tempo e a sua energia. Do ponto de vista da Psicologia Organizacional e do Trabalho, isso envolve estabelecer uma relação mais equilibrada entre demandas e recursos de trabalho. O professor precisa ter condições concretas para realizar suas atividades e possibilidade de recuperação física e psicológica após o trabalho. Também é importante superar uma cultura acadêmica que, muitas vezes, associa dedicação profissional à disponibilidade permanente. Por exemplo, responder mensagens à noite, trabalhar nos finais de semana e estar constantemente preocupado com produtividade não deveria ser entendido como demonstração de comprometimento. Descanso, lazer e vida pessoal não são obstáculos à produtividade; são condições para que ela seja sustentável. Portanto, uma carreira produtiva sem esgotamento não significa trabalhar menos, mas trabalhar de maneira sustentável, com qualidade e propósito, preservando a saúde mental e a capacidade de permanecer realizando o trabalho com satisfação ao longo dos anos.
CRCPR Online: Por que falar sobre bem-estar docente também é falar sobre a qualidade da educação?
SPB: Não existe educação de qualidade sem condições adequadas para quem educa. O professor é um dos principais mediadores do processo de ensino-aprendizagem e seu estado emocional, sua motivação e suas condições de trabalho influenciam diretamente a maneira como ele planeja, ensina, se relaciona com os estudantes e enfrenta os desafios cotidianos. Quando um docente está submetido continuamente a sobrecarga, falta de reconhecimento, pressão e esgotamento, não estamos diante apenas de um problema individual. Há consequências para o próprio processo educacional: redução da capacidade de planejamento, da disponibilidade para interação com os estudantes, aumento das dificuldades para se concentrar e ser criativo, aumento de conflitos e, em situações mais graves, afastamentos e abandono da profissão. Por isso, cuidar da saúde mental dos professores não deve ser tratado como um benefício periférico ou como uma responsabilidade exclusivamente individual. É uma questão de gestão institucional. Precisamos olhar para a organização do trabalho: quantidade de tarefas, prazos, autonomia, relações interpessoais, reconhecimento, recursos disponíveis e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Essa discussão é especialmente importante quando pensamos em profissionais de áreas como a contabilidade, que frequentemente lidam com prazos rigorosos, elevada responsabilidade técnica, necessidade de atualização constante e períodos de intensa demanda. A mesma lógica vale para a docência: profissionais que precisam sustentar altos níveis de desempenho por longos períodos necessitam de condições que tornem esse desempenho sustentável. Em síntese, promover o bem-estar docente não significa diminuir a exigência ou o compromisso com a educação. Significa criar condições para que o professor consiga oferecer o seu melhor sem precisar adoecer para isso.
Confira, a seguir, entrevista com a palestrante Sirlene Siqueira Alves:
CRCPR Online: Como o perfil da carreira docente em Ciências Contábeis mudou nos últimos anos e quais novos desafios surgiram para os professores?
Sirlene Siqueira Alves (SSA): A mudança na carreira docente tem acompanhado a própria evolução da profissão contábil. É uma área marcada por alterações frequentes na legislação, pelo avanço da tecnologia, pela automatização dos processos e, mais recentemente, pela inteligência artificial (IA). Recentemente, as diretrizes do curso de Ciências Contábeis foram atualizadas, trazendo um novo olhar para o perfil do profissional que precisamos formar. Nesse cenário, o papel do docente também se ampliou. Hoje, precisamos ir além do domínio técnico da contabilidade, incorporando novas tecnologias, metodologias ativas e diferentes formas de aproximar a teoria da prática. Ao mesmo tempo, o perfil dos nossos alunos também mudou. Eles têm acesso rápido à informação e à novas formas de aprender, o que nos desafia a buscar outras maneiras de ensinar e despertar o interesse pelo conhecimento. O grande desafio, portanto, é trazer toda essa realidade para a sala de aula e preparar profissionais que não saibam apenas executar procedimentos, mas que sejam capazes de analisar informações, interpretar cenários e tomar decisões. Ser docente em Ciências Contábeis hoje significa estar aberto ao aprendizado, à adaptação e a novas formas de ensinar diante de uma profissão que está em constante evolução.
CRCPR Online: Que conselho você daria aos professores que desejam construir uma carreira acadêmica de longo prazo com qualidade e equilíbrio?
SSA: Acredito que uma carreira acadêmica de longo prazo se constrói com dedicação, constância e, principalmente, disposição para continuar aprendendo. Na área contábil, não podemos nos acomodar. É necessário manter uma rotina de estudos e acompanhar as mudanças da legislação e da profissão para que aquilo que ensinamos continue conectado à realidade. Ao mesmo tempo, penso que qualidade também exige equilíbrio. É importante conciliar as diferentes responsabilidades da vida acadêmica e profissional sem perder aquilo que nos levou à docência. Por isso, meu conselho é: estudem sempre, mantenham-se atentos às transformações, mas nunca deixem de cultivar o amor pela profissão e pelo ato de ensinar. É esse propósito que dá sentido e sustentação a uma carreira docente ao longo dos anos.
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