ESG virou preço? Estudo mostra como notícias sobre ambiente, social e governança afetam ações do Índice de Sustentabilidade Empresarial

Publicado em 16/06/2026 13:30 · por Helena Michelli Ferreira Romanin

Resumo do artigo dos autores Sonia de Fátima Oliveira, Luciano Ferreira Carvalho e José Eduardo Ferreira Lopes

RESUMO: Estudo publicado em periódico científico analisa como notícias relacionadas a práticas ambientais, sociais e de governança impactam o valor de mercado de empresas brasileiras. A pesquisa, conduzida por especialistas da área contábil, revela que o mercado reage de forma distinta conforme o tipo e o teor das informações divulgadas. Os resultados evidenciam a relevância do tema para profissionais e organizações, ao demonstrar a influência das práticas ESG na avaliação e na transparência corporativa.

Artigo: ESG virou preço? Estudo mostra como notícias sobre ambiente, social e governança afetam ações do ISE

"Notícias sobre ESG não ficam restritas à reputação das companhias. Elas também podem afetar o preço das ações, mesmo em curto prazo. Um estudo publicado na Revista Enfoque: Reflexão Contábil, assinado por Sonia de Fátima Oliveira, Luciano Ferreira Carvalho e José Eduardo Ferreira Lopes, analisou como o mercado reage a notícias ambientais, sociais e de governança relacionadas a empresas da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial, (Índice de Sustentabilidade Empresarial) ISE, da B3.

A pesquisa parte de uma questão cada vez mais presente no mercado de capitais, quando uma empresa divulga boas práticas ESG, ou quando a mídia noticia problemas ambientais, sociais ou de governança, os investidores reagem? Para responder a essa pergunta, os autores analisaram notícias publicadas no jornal Valor Econômico entre 2018 e 2022, relacionadas a empresas listadas no ISE. O estudo trabalhou com 44 companhias, 573 notícias ESG, sendo 224 ambientais, 192 de governança e 157 sociais. As notícias foram classificadas conforme o tom, positivo ou negativo, e depois avaliadas por meio de estudo de eventos.

A coleta foi feita em duas etapas. Primeiro, foram obtidas as cotações diárias das ações no Economática. Depois, os pesquisadores desenvolveram um software em Python para buscar notícias no site do Valor Econômico. Ao todo, foram baixadas 10.918 notícias, filtradas posteriormente para manter apenas aquelas relacionadas a ESG. A classificação foi feita manualmente, separando exemplos negativos, como corrupção, autuações, fraudes, desmatamento, interdições, protestos e greves, de exemplos positivos, como investimentos em energia renovável, reciclagem, governança, doações e ações sociais.

Os resultados mostram que o mercado não reage da mesma forma a todos os tipos de notícia ESG. No fator ambiental, as notícias negativas tiveram efeito negativo no retorno das ações, enquanto as notícias positivas não apresentaram efeito estatisticamente significativo. Em termos práticos, empresas do ISE parecem ser mais punidas por más notícias ambientais do que recompensadas por boas notícias ambientais. Uma leitura possível é que o mercado já espera boas práticas ambientais dessas empresas, por integrarem uma carteira voltada à sustentabilidade.

No fator social, o comportamento foi diferente. As notícias positivas apresentaram efeito positivo sobre o retorno das ações, mas as notícias negativas não tiveram efeito significativo. Esse achado sugere que ações sociais favoráveis, como doações, programas de apoio ou benefícios associados à relação com trabalhadores e sociedade, podem ser percebidas pelo mercado como sinais relevantes. Já as notícias sociais negativas, dentro da amostra analisada, não produziram reação estatística clara.

A governança foi o fator com resposta mais sensível do mercado. Os achados indicam que tanto notícias positivas quanto negativas de governança podem afetar o retorno das ações. Esse resultado sugere que os investidores observam com atenção temas ligados à estrutura de controle, transparência, conduta corporativa, riscos de fraude, corrupção e qualidade da gestão. Para empresas de capital aberto, a governança aparece como uma dimensão ESG com potencial direto de precificação.

Um ponto que chama atenção é o crescimento do volume de notícias ESG em 2022, em comparação aos anos anteriores. O artigo mostra que esse crescimento ocorreu nos três fatores analisados, ambiente, social e governança. Esse dado reforça a percepção de que ESG deixou de ser assunto periférico e passou a compor o fluxo de informações acompanhado por investidores, analistas e empresas.

A pesquisa também dialoga com a Hipótese de Eficiência de Mercado, ao observar se informações públicas são incorporadas aos preços das ações. Como várias notícias geraram retornos anormais significativos dentro da janela de evento, os resultados indicam que o mercado brasileiro precifica parte das informações ESG, ainda que a reação varie conforme o tipo de notícia e seu tom.

A contribuição prática do estudo está em mostrar que práticas ESG não afetam apenas relatórios, rankings ou imagem pública. Quando ganham visibilidade na mídia, elas podem repercutir no valor das empresas. Para gestores, conselhos e áreas de relações com investidores, o recado é direto, falhas ambientais e de governança podem gerar penalização no mercado, enquanto boas práticas sociais e de governança podem ser reconhecidas pelos investidores.

O estudo também impõe cautela. A amostra foi composta apenas por empresas listadas no ISE e com dados completos no período analisado. Os autores indicam que novas pesquisas podem comparar empresas do ISE com empresas fora da carteira, examinar outras fontes de notícias e observar períodos específicos, como crises econômicas ou a pandemia de Covid 19".

Para mais informações, contate os autores:

O artigo completo, intitulado “Efeito das notícias relacionadas a ESG no retorno das ações das empresas listadas no ISE", foi publicado na Revista Enfoque: Reflexão Contábil, e pode ser acessado através do link: https://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/Enfoque/article/view/72065

 

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