RESUMO: A ex-presidente de Regulação e Normas Técnicas do Conselho Federal de Contabilidade e primeira mulher a presidir o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul, Ana Tércia Lopes Rodrigues, participará do Fórum de Jovens Lideranças Feminina, em 6 de novembro, para compartilhar experiências sobre desenvolvimento de carreira, liderança e competências profissionais. Promovido pelas comissões CRCPR Mulher e CRCPR Ensino/Jovem, o evento reunirá profissionais e estudantes para debater protagonismo feminino, oportunidades na Reforma Tributária e os desafios da atuação das mulheres em espaços de decisão.
A ex-presidente de Regulação e Normas Técnicas do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e primeira mulher a presidir o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ana Tércia Lopes Rodrigues, palestrará no Fórum de Jovens Lideranças Feminina e discutirá sobre desenvolvimento de carreira e competências para o sucesso profissional. O encontro, que será realizado a partir de ação conjunta da Comissão CRCPR Mulher e da Comissão CRCPR Ensino/Jovem, acontecerá presencialmente no dia 6 de novembro, das 19h às 22h30, reforçando a conexão e troca de experiências entre os participantes.
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Além de contadora, Rodrigues é ainda mestre em Administração e Negócios e possui especialização em Administração e Planejamento. A palestrante também é professora universitária, membro do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, integrante da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e conselheira fiscal do Sistema B Brasil, comunidade global de empresas que buscam construir um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo.
Com apoio do Instituto Paranaense da Mulher Contabilista (IPMCONT) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o evento terá ainda em sua programação a palestra "Oceano Azul da Reforma Tributária", que apresentará as oportunidades e inovações que permeiam o novo cenário tributário, e a mesa redonda "Os Múltiplos Papéis da Mulher na Sociedade", que discutirá desafios para as mulheres na contemporaneidade e outros tópicos relacionados à liderança feminina, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e empoderamento.
Confira, a seguir, entrevista com a palestrante Ana Tércia Lopes Rodrigues e saiba mais sobre o painel:
CRCPR Online: Ao longo de sua trajetória profissional, quais competências considera essenciais para que jovens lideranças femininas da área contábil construam carreiras sólidas, exerçam influência positiva e alcancem posições de destaque no mercado?
Ana Tércia Lopes Rodrigues (ATLR): As hard skills são competências técnicas que constroem autoridade em determinado tema. Quanto maior a especialização em um nicho de mercado, segmento de negócio ou área de conhecimento, melhor é a possibilidade de desenvolver expertise. Na contabilidade, por exemplo, é importante identificar em qual área o profissional tem mais afinidade e preparo para, a partir disso, construir autoridade por meio do conhecimento técnico, que pode ser adquirido com estudos, formação e experiências profissionais. Escrever artigos, publicar conteúdos e atuar na área de especialidade também contribuem para consolidar o conhecimento e fortalecer o reconhecimento profissional. Já as soft skills são habilidades comportamentais que complementam as competências técnicas. Um profissional pode, por exemplo, ter muito conhecimento, mas encontrar dificuldades para se comunicar. Por isso, considero a comunicação uma competência essencial para qualquer carreira. Na contabilidade, precisamos traduzir informações técnicas para a linguagem de negócios, de forma que empresários e sociedade compreendam o valor da atuação contábil. Outra competência fundamental é a ética, que contribui para a construção de credibilidade e confiança. O cumprimento de prazos, a qualidade das entregas, a pontualidade e a gentileza no trato com as pessoas também são atitudes valorizadas nos ambientes corporativos. As empresas buscam melhorar o clima organizacional e reduzir comportamentos que tornam os ambientes tóxicos. Para isso, é importante desenvolver soft skills como a empatia e a habilidade de trabalhar de forma colaborativa. Por fim, destaco a capacidade de aprender continuamente, o que chamamos de aprender a aprender. Precisamos buscar novas técnicas, manter-nos atualizados e aprender tanto com os erros quanto com as práticas valorizadas pelo mercado. O benchmarking, a troca de experiências, as mentorias e o trabalho colaborativo também são formas de desenvolver habilidades e aprimorar nossa atuação profissional.
A palestrante Ana Tércia Lopes Rodrigues apresentará o tema "Profissionais de Sucesso"
CRCPR Online: Em um contexto de constantes transformações sociais e profissionais, como a valorização da liderança feminina pode contribuir para o fortalecimento da profissão contábil e para a ampliação da participação das mulheres em espaços de decisão e representação institucional?
ATLP: Quanto mais as empresas desenvolvem uma cultura de inovação, mais abertas se tornam à inclusão e à integração de lideranças femininas em seus ambientes. Historicamente, o mercado de trabalho não foi favorável às mulheres, que precisaram lutar e conquistar seus espaços com muito esforço e dedicação. Hoje, esses espaços existem, mas ainda precisam ser conquistados e mantidos. Muitas vezes, continuam sendo pioneiras em determinadas funções e áreas. Em meu caso, fui a primeira mulher a presidir o CRCRS e conheço outras que também foram as primeiras em suas instituições. Faço parte dessa geração que precisou abrir caminhos. Isso exige muita resiliência para enfrentar situações que nem sempre são agradáveis. Essa característica é fundamental para chegar a esses espaços e, principalmente, permanecer neles. Muitas vezes, o maior desafio não é assumir um cargo, mas desenvolver a saúde emocional e mental necessária para lidar com as adversidades e exercer essa função. Também precisamos desenvolver habilidades para fortalecer nosso emocional e conseguir atuar nesses ambientes sem deixar de lado nossa sensibilidade. É importante estarmos fortalecidas emocional, mental, espiritual e física para enfrentar os desafios da liderança. A cultura da inovação contribui para esse processo porque ajuda as pessoas a entenderem que o diferente não deve ser rejeitado, mas valorizado. Precisamos aprender com as diferenças e acolher a diversidade nos ambientes corporativos, seja ela étnica, cultural, religiosa ou relacionada às condições físicas das pessoas. Quando vivemos uma cultura de inovação, entendemos que é possível promover uma convivência saudável entre pessoas com diferentes características e condições. A diversidade deve ser integrada ao ambiente de trabalho, contribuindo para relações mais inclusivas.
Fórum Jovens Lideranças Femininas
Data: 6 de novembro
Horário: 19h às 22h30
Local: auditório Maurício Bissoli - Campus Botânico da UFPR - Avenida Prefeito Lothário Meissner, 632, Jardim Botânico, Curitiba (PR)
Reprodução permitida, desde que citada a fonte.