Promovida pelo Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), a Imersão em Normas Contábeis e ESG contará com nova edição, desta vez, em Campo Mourão. O encontro, com data marcada para 18 de junho, conectará Normas e sustentabilidade de forma prática, atual e aplicada à realidade do mercado. Estarão presentes profissionais de referência como palestrantes, Laudelino Jochem, vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Federal de Contabilidade (CFC); e Sérgio Porciúncula Júnior, coordenador da Comissão CRCPR Normas e ESG.
Sérgio Porciúncula Jr. é mestre em Governança e Sustentabilidade e coordena a Comissão CRCPR Normas e ESG. Além disso, é professor universitário e possui mais de vinte anos de experiência em Auditoria Externa. Durante o evento, o contador ministrará as palestras “Da Agenda ESG às Divulgações das Informações Financeiras: O Impacto do CBPS 1 na Contabilidade” e “Como o CBPS 2 Redefine a Mensuração de Ativos e Provisões na Contabilidade”.
Nesta entrevista ao CRCPR Online, o palestrante fala sobre as práticas de sustentabilidade no contexto do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), relacionando o papel do contador para a construção de estratégias transparentes ao mensurar e divulgar riscos e oportunidades sustentáveis.
Confira a seguir, entrevista com o coordenador da Comissão CRCPR Normas e ESG:
CRCPR Online: Como avalia o impacto da agenda ESG na atuação dos profissionais contábeis e na forma como as informações financeiras são produzidas e divulgadas?
Sérgio Porciúncula Jr. (SPJ): A agenda ESG representa um novo chamado do mercado e, porque não dizer da sociedade, aos profissionais de contabilidade. A criação do CBPS, a emissão do CBPS 1 e do CBPS 2 e a Resolução CFC 1.710/2023 são marcos históricos que consolidam o papel relevante do contador na elaboração e na asseguração dos Relatórios de Informações de Sustentabilidade. O CBPS 1 e o CBPS 2 não apenas estruturam como essas informações devem ser produzidas e divulgadas, mas reconhecem, formalmente, que é o profissional contábil quem possui as competências técnicas e éticas necessárias para conduzir esse processo com rigor e credibilidade: integridade, objetividade, competência e zelo profissional, confidencialidade e comportamento profissional. Esses pilares já são consolidados em nosso Código de Ética e que são atributos que o mercado busca neste novo contexto ESG. Ao reunirmos estas novas exigências ESG com as novas práticas de sustentabilidade se espera um impacto profundo, pois a forma como as informações financeiras são produzidas e divulgadas passa a incorporar uma dimensão ESG estruturada e conectada às Demonstrações Financeiras. O contador não mais apenas registra o passado, ele passa a ser protagonista na construção de uma narrativa corporativa e estratégica transparente, relevante e orientada ao futuro da entidade.
CRCPR Online: Quais são os principais desafios na incorporação das exigências relacionadas à sustentabilidade, governança e transparência nos processos contábeis e gerenciais?
SPJ: O primeiro passo é reconhecer com clareza, tanto a nossa responsabilidade quanto os nossos limites. O profissional de contabilidade será o grande coordenador deste processo, mas não poderá, e nem deverá atuar de forma isolada. O levantamento das informações de sustentabilidade que comporão o novo Relatório exige o envolvimento de profissionais de diferentes áreas e competências, tornando a capacidade de articulação, delegação e gestão de projetos uma habilidade cada vez mais essencial para o contador. Além disso, dois desafios práticos se destacam a necessidade de incorporar ferramentas de identificação e mensuração de riscos de sustentabilidade, ainda pouco familiares à maioria dos profissionais de contabilidade, e o desenvolvimento de um novo vocabulário técnico, próprio do universo ESG, que precisa ser absorvido e dominado pelo profissional. Para os contadores, esse processo exige uma curva de aprendizado consistente e um olhar estratégico sobre como adaptar essas exigências à realidade de cada cliente, sem perder de vista a qualidade e a confiabilidade das informações geradas.
"O CBPS 1 e o CBPS 2 colocam o contador em uma posição estratégica e de destaque: ele passa a ser o profissional responsável por identificar, mensurar e divulgar como os riscos e oportunidades de sustentabilidade afetam, e afetarão, a saúde financeira das entidades no curto, médio e longo prazo", disse Sérgio Porciúncula Jr.
CRCPR Online: Suas palestras abordarão os efeitos do CBPS 1 e do CBPS 2 sobre a mensuração de ativos, provisões e divulgações financeiras. Na prática, qual a principal mudança para o contador e como ele pode se preparar para aplicar essas novas exigências de forma estratégica e consistente?
SPJ: O CBPS 1 e o CBPS 2 colocam o contador em uma posição estratégica e de destaque. Ele passa a ser o profissional responsável por identificar, mensurar e divulgar como os riscos e oportunidades de sustentabilidade afetam e afetarão a saúde financeira das entidades no curto, médio e longo prazo. Na prática, a principal mudança está na necessidade de construir uma ponte sólida entre o Relatório de Sustentabilidade e as Demonstrações Financeiras. Isso significa que os dados ESG não podem existir de forma paralela ou desconectada; eles precisam conversar diretamente com os saldos contábeis, as transações registradas e, especialmente, com as divulgações em Notas Explicativas. O CBPS 2, inclusive, já prevê critérios de proporcionalidade entre custo e esforço no levantamento dessas informações. Deixo aqui algumas dicas para quem deseja se preparar de forma estratégica para estes novos requisitos: capacitação técnica contínua nos pronunciamentos do CBPS; desenvolvimento de metodologias internas para coleta e validação de dados de sustentabilidade; aprofundar suas habilidades em gestão de projetos e gerenciamento de equipes multidisciplinares. Não estamos falando somente de conformidade com as novas normas, mas de ocupar um espaço de liderança e protagonismo que a profissão contábil conquistou e vem se renovando.
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