CFC inicia elaboração de Política de Inteligência Artificial

Publicado em 01/07/2026 14:30 · por Helena Michelli Ferreira Romanin - Comunicação, Adriana Iaizzo Magalhães, Karin Oliveira - Comunicação

Diretrizes orientarão o uso ético, seguro e transparente da IA nas atividades do Sistema CFC/CRCs e acompanham o movimento de modernização da administração pública brasileira

RESUMO: A elaboração de uma Política de Inteligência Artificial pelo CFC representa um novo passo na incorporação da tecnologia à governança do Sistema CFC/CRCs. A iniciativa busca estabelecer diretrizes para o uso ético, transparente e seguro da inteligência artificial, com aplicação em atividades como fiscalização, gestão e produção de informações estratégicas.

A inteligência artificial passa a ocupar um espaço estratégico na governança do Sistema CFC/CRCs. Durante reunião de alinhamento estratégico realizada pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) em 25 de junho, teve início a elaboração de uma Política de Inteligência Artificial que estabelecerá princípios e diretrizes para a utilização responsável da tecnologia nas atividades desenvolvidas pelo Sistema. A iniciativa representa um passo importante para fortalecer a atuação dos Conselhos de Contabilidade, assegurando que o avanço tecnológico ocorra com ética, transparência, segurança da informação e supervisão humana.

 A proposta surge em um momento em que órgãos públicos de diferentes esferas estruturam políticas para disciplinar o uso da inteligência artificial. Um dos exemplos é a Receita Federal, que recentemente instituiu sua Política de Inteligência Artificial para orientar a utilização da tecnologia em atividades como análise de dados, gestão de riscos, atendimento ao contribuinte e apoio às ações de fiscalização.

 Governança para uma nova realidade

 Segundo o CFC, a construção da política busca estabelecer parâmetros para a aplicação das novas tecnologias em temas como otimização do orçamento, acompanhamento de contratações de TI, adesão ao Código do Sistema de Finanças, entre outras, observando princípios como responsabilidade, transparência, proteção de dados, segurança da informação e conformidade com a legislação.

Na prática, a iniciativa cria bases para que soluções baseadas em IA possam contribuir para a modernização de processos administrativos, o aprimoramento das ações de fiscalização, a produção de informações estratégicas e o fortalecimento da capacidade regulatória do Sistema CFC/CRCs, sem substituir a análise técnica e a tomada de decisão pelos profissionais responsáveis.

 O que isso representa para a fiscalização profissional

 O avanço da inteligência artificial abre novas possibilidades para tornar as ações de fiscalização mais inteligentes e eficientes.

Ferramentas de IA podem auxiliar, por exemplo, na identificação de padrões, no cruzamento de grandes volumes de informações, na priorização de ações fiscalizatórias e na geração de análises que apoiem a tomada de decisão. No entanto, assim como estabelece a política adotada pela Receita Federal, a supervisão humana permanece indispensável para garantir a segurança jurídica e a confiabilidade dos processos.

CRCPR já realiza testes sobre o uso de IA na Fiscalização

 Segundo o vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), Michel Melhem, o cenário contábil vem passando por uma aceleração significativa em termos de tecnologia, automação e inteligência artificial, além do aumento das exigências regulatórias. Em entrevista ao CRCPR Online no início da atual gestão, Melhem pontuou que a Fiscalização do CRCPR persegue o equilíbrio entre orientação e punição, assegurando a qualidade dos serviços contábeis sem perder o caráter educativo da fiscalização, mas que lidar com o volume crescente de informações e dados, exige maior capacidade de análise e decisões cada vez mais técnicas.

 "A fiscalização também precisa se modernizar para acompanhar a realidade dos escritórios e das empresas. Diante desse cenário, o investimento em tecnologia, automação e inteligência artificial faz-se essencial e nossa equipe já vem, há algum tempo, desenvolvendo e testando ferramentas para incorporar automações e cruzamentos de dados, para que a equipe possa se dedicar a tarefas mais analíticas e estratégicas, sempre visando preservar a credibilidade e a integridade da profissão contábil, além de promover a valorização das boas práticas que sustentam a confiança da sociedade nos profissionais da área".

 Reflexos para os profissionais da contabilidade

 Embora a política tenha como foco inicial a atuação institucional do Sistema CFC/CRCs, seus efeitos tendem a alcançar toda a profissão.

O movimento demonstra que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a integrar a governança das organizações. Para as empresas contábeis, isso reforça a importância de estabelecer critérios para utilização da tecnologia, proteger informações de clientes, validar os conteúdos produzidos por IA e manter o julgamento técnico como elemento central da atividade profissional.

 Mais do que utilizar novas ferramentas, o desafio passa a ser utilizá-las de forma responsável, ética e alinhada às normas que regem a profissão.

 Tendência para o setor público e privado

 Criar mecanismos de governança capazes de garantir que a inovação tecnológica produza ganhos de eficiência sem comprometer a transparência, a segurança e a confiança institucional é uma tendência crescente observada em diversos órgãos públicos e organizações privadas.

 "É essencial que as instituições se mobilizem para elaborar de Políticas de Inteligência Artificial, estabelecendo, acima de tudo, fronteiras éticas para a utilização de ferramentas cada vez mais potentes, cujos limites vêm sendo ultrapassados não mais em uma escala de dias, mas até de minutos", comenta o vice-presidente Melhem. "A presença da IA no meio contábil é irreversível e nós, como órgãos fiscalizadores, precisamos acompanhar essa revolução tecnológica", conclui.

Com informações do CFC.

Reprodução permitida, desde que citada a fonte.

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