Em entrevista, secretário municipal de Desenvolvimento Humano de Curitiba fala sobre "Contador Amigo da Cidade"

Publicado em 16/04/2026 15:00 · por Helena Michelli Ferreira Romanin

Campanha incentiva a destinação do IR a crianças, jovens e idosos em vulnerabilidade

O programa Contador Amigo da Cidade” busca estimular a participação ativa dos contadores na destinação do Imposto de Renda (IR). A ação, desenvolvida a partir da parceria entre a Prefeitura Municipal de Curitiba (PMC) e o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), instituiu um sistema de selos (Bronze, Prata e Ouro) que valoriza o engajamento destes profissionais conforme o número de destinações.

O contador desempenha um papel fundamental como agente de transformação social, orientando seus clientes sobre a possibilidade de destinar parte do imposto devido aos Fundos Municipais da Criança/Adolescente e da Pessoa Idosa (FIA e FMPI) e para as Organizações da Sociedade Civil (OSC).

Saiba mais sobre a campanha "Contador Amigo da Cidade"!

Carlos Eduardo Pijak Jr, secretário municipal de Desenvolvimento Humano de Curitiba
Carlos Eduardo Pijak Jr, secretário municipal de Desenvolvimento Humano de Curitiba

Nesta entrevista, Carlos Eduardo Pijak Jr, secretário municipal de Desenvolvimento Humano de Curitiba, abordou a importância da campanha "Contador Amigo da Cidade"

CRCPR Online:  Qual é a importância da campanha para fortalecer a cultura de responsabilidade social em Curitiba, e de que forma pode promover mudanças na sociedade?

Carlos Pijak Jr (CPJ): A campanha nasce de uma ideia simples, mas profundamente transformadora: mostrar que cada decisão pode mudar destinos. Quando um contador orienta corretamente seu cliente, ele não está apenas preenchendo uma declaração — ele está ajudando a direcionar recursos que podem transformar a vida de crianças, adolescentes e idosos. O grande valor da iniciativa está em despertar consciência. Muitos ainda não sabem que é possível destinar parte do imposto devido para projetos sociais, sem pagar nada a mais por isso. Ao tornar essa informação acessível, a campanha cria uma corrente do bem, na qual conhecimento vira ação e ação vira impacto real na vida das pessoas.  E é aí que mora a força dessa mobilização: ela aproxima o cidadão das soluções sociais da própria cidade. O recurso deixa de ser distante e passa a ser concreto, visível, humano. É a possibilidade de olhar para Curitiba e dizer: “eu ajudei a construir isso”.

CRCPR Online: Como os contadores que desejam aderir à campanha podem participar e de que maneira a PMC fomentará a visibilidade e o reconhecimento destes profissionais contábeis?

CPJ: Os contadores são protagonistas dessa transformação. A participação começa com algo essencial: orientar seus clientes sobre a destinação do IR mostrando que até 6% do valor devido pode ser direcionado aos fundos municipais que financiam projetos sociais. Mas a campanha vai além da orientação técnica — ela valoriza quem faz a diferença. A Prefeitura, em parceria com o CRCPR, reconhece esses profissionais por meio do Selo Contador Amigo da Cidade, com categorias que destacam o volume de destinações realizadas. Esse reconhecimento não é apenas simbólico. Ele dá visibilidade, fortalece a reputação profissional e mostra para a sociedade quem está comprometido com algo maior. É transformar o contador em agente de impacto social, alguém que não apenas trabalha com números, mas que ajuda a escrever histórias de transformação.

CRCPR Online: Como este programa pode inspirar outras cidades a desenvolver iniciativas que integrem contabilidade, cidadania e responsabilidade social, fortalecendo uma cultura de compromisso com a comunidade?

CPJ: Esse programa mostra que grandes mudanças não dependem apenas de grandes estruturas — dependem de conexão, propósito e mobilização. Curitiba está construindo um modelo inspirador ao unir poder público, profissionais da contabilidade e sociedade em torno de um mesmo objetivo: fazer com que recursos que já existem cheguem aonde realmente são necessários, com mais rapidez e impacto. O mais inspirador é o sonho que está por trás disso: sair de uma pequena parcela de destinação e alcançar todo o potencial possível, ampliando significativamente os recursos para projetos sociais. Hoje já são milhões destinados, mas ainda existe um potencial muito maior a ser alcançado. Quando outras cidades olham para esse movimento, percebem que não se trata apenas de arrecadação — trata-se de esperança organizada. É a prova de que, quando diferentes setores se unem, é possível transformar impostos em oportunidades, números em dignidade e burocracia em cuidado com as pessoas. No fundo, é sobre isso: sonhar grande. Sonhar com uma cidade onde mais recursos chegam a quem precisa, onde mais vidas são impactadas e onde cada profissional entende que pode ser parte dessa transformação.

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