Artigo: acadêmico Vicente Pacheco reflete sobre "o melhor dos tempos, o pior dos tempos"

Publicado em 01/09/2026 11:20 · por Helena Michelli Ferreira Romanin - Comunicação, Karin Oliveira - Comunicação

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Reflexões sobre "O melhor dos tempos, o pior dos tempos", baseado nas obras "O Conto das Duas Cidades" e "O futuro é Coop"

"O que significa a famosa frase 'O melhor dos tempos, o pior dos tempos'? O escritor Charles Dickens utiliza este paradoxo para descrever o período da Revolução Francesa, momento cheio de contrastes. A expressão 'melhor dos tempos' reflete avanços, ideias novas, esperança de liberdade e igualdade. Já 'pior dos tempos' revela guerras, injustiça, pobreza, violência. Atualmente, usamos essa frase para falar de épocas repletas de grandes mudanças, na qual coisas boa e coisa ruins acontecem ao mesmo tempo. Para Martha Gabriel (2024), autora do livro 'O futuro é Coop', a afirmação combina com os dias atuais.

Resumo do capítulo 1 de 'O conto de duas cidades':

'A Época Dickens abre o livro situando o leitor no ano de 1775, às vésperas da Revolução Francesa e durante a Revolução Americana. Ele descreve o mundo como um lugar cheio de contradições: contrastes extremos. Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos'. Ele lista vários paradoxos: era de sabedoria e de tolice, de crença e de incredulidade, de luz e de escuridão, de esperança e de desespero. Tudo acontecia ao mesmo tempo. O capítulo foca em Londres e Paris. Os dois países viviam momentos tensos. Na França, o povo sofria sob a monarquia e a desigualdade. Na Inglaterra, apesar de mais estável, também havia pobreza, injustiça e corrupção. Na mensagem do tempo, Dickens mostra que, apesar de tudo parecer caótico, as pessoas viviam suas vidas normais, em que nasciam, trabalhavam e morriam. Os reis e governos faziam decretos grandiosos, mas para o cidadão comum, a vida seguia normalmente.

O capítulo termina transmitindo a sensação de que algo grande está prestes a acontecer, que a sociedade está pronta para explodir. É o cenário perfeito para a história de sacrifício, amor e revolução que virá nos próximos tempos. Dickens apresenta o ano de 1775 como uma época de extremos, com progresso e miséria juntos, preparando o palco para a história no futuro.

Vicente Pacheco

Vicente Pacheco

Resumo do capítulo 1 de 'O futuro é Coop':

Já no resumo do capítulo 1 do livro 'O Futuro é Coop', páginas 17 à 25, nota-se as mudanças da lógica: de competição para cooperação, a autora abre o capítulo afirmando que estamos saindo da lógica da Revolução Industrial, baseada em escassez, hierarquia e competição, para a lógica da Era Digital e das Redes, baseada em abundância, conexão e cooperação. Para a autora, "coop" vem de cooperation, co-criação, comunidade. O futuro não será construído por empresas ou pessoas isoladas, mas por ecossistemas que compartilham propósito. Ela defende que a tecnologia sozinha não transforma. O que transforma são as pessoas conectadas usando a tecnologia para resolver problemas reais. Por isso o título do livro de Martha Gabriel: O Futuro é Coop.

Entre as páginas 17 e 20, em 'O futuro é Coop', a autora apresenta três forças que estão moldando esse novo futuro. A primeira é digitalização, na qual tudo virou dado. Produtos, serviços, relacionamentos e até emoções podem ser digitalizadas. Isso gera escala e velocidade nunca vistas. A segunda é conectividade. Vivemos em um mundo em que estamos hiperconectados, com redes sociais, 5G e outros. A conexão derrubou barreiras geográficas e hierárquicas. Agora qualquer pessoa pode criar, opinar e impactar. Por fim, temos a inteligência. Com inteligência artificial (IA), Big Data e algoritmos, passamos da era da informação para a era do conhecimento aplicado. Máquinas aprendem e ajudam humanos a tomar decisões melhores. Esses três vetores juntos criam o que a autora chama de 'mundo exponencial', na qual as mudanças não são lineares, mas sim aceleradas. O fim do modelo 'eu' e o início do modelo 'nós'. Entre as páginas 20 e 23, Martha critica o modelo de negócios tradicional, com empresa central, cliente passivo e concorrência até a morte. No modelo 'coop', o valor é gerado em rede. Como exemplos, temos Uber, Airbnb, Wikipedia e comunidades de código aberto. Ninguém 'possui' tudo. O valor está na orquestração da rede. Ela também apresenta o conceito de Capitalismo de Plataforma e de Propósito. As empresas que vão sobreviver são as que entendem que precisam gerar valor para todos os stakeholders, como clientes, funcionários, fornecedores, sociedade e meio ambiente. Não só para o acionista.

Aqui, entram como ponto chave o propósito e o lucro. O lucro é consequência de resolver um problema relevante para a sociedade de forma colaborativa. Nas páginas 23 à 25, a autora fecha o capítulo falando das competências que serão mais valorizadas. Se a máquina faz o repetitivo, o humano precisa fazer o que só humano pode desempenhar, que são a empatia, a inteligência emocional, os pensamento crítico e criativo, a colaboração, a co-criação, o aprendizado contínuo, a adaptabilidade e liderança servidora. Para Martha, o grande diferencial do futuro não será competir com a IA, e sim cooperar com ela. E cooperar também entre nós.

A autora conclui o capítulo com a ideia de que o futuro já começou. Quem insistir no modelo antigo de controle, ego e competição vai ficar para trás. Quem adotar a lógica 'coop', que é a de abrir, compartilhar e somar, vai liderar. A Ideia central do capítulo é a de que o futuro não pertence às empresas maiores ou mais fortes, mas sim às redes mais inteligentes, mais humanas e mais colaborativas.

Vivemos um momento de transição profunda. Segundo Martha Gabriel, estamos deixando para trás a lógica da Revolução Industrial, baseada na escassez, na competição e na hierarquia, e entrando em uma nova era marcada pela abundância, pela conexão e pela cooperação.

Vimos no capítulo 1, resumido de forma implícita nas páginas iniciais, que tem  como objetivo apresentar os principais vetores que estão moldando essa nova sociedade e defender que o futuro será construído de forma colaborativa. Para a autora, a tecnologia por si só não é o motor da transformação. O que realmente muda o mundo são pessoas conectadas, com propósito, usando a tecnologia como ferramenta. Este resumo busca analisar os principais pontos abordados por Martha Gabriel nas páginas 17 à 24.

Um dos pontos mais fortes do capítulo é a crítica ao modelo de negócios tradicional. O modelo antigo era baseado em empresa no centro, cliente passivo, fornecedores subordinados e concorrentes para serem destruídos. O objetivo final era o lucro para o acionista. Para Martha, esse modelo está morrendo. No novo modelo 'coop', o valor é gerado em rede. O propósito deixa de ser marketing e passa a ser estratégia. O lucro, nesse novo cenário, é consequência de resolver um problema real da sociedade de forma colaborativa. As competências humanas para o futuro.

Se as máquinas vão assumir as tarefas repetitivas e operacionais, qual será o papel do ser humano? Para Martha Gabriel, o diferencial humano será justamente aquilo que a máquina não consegue replicar facilmente. A mensagem central é que não devemos competir com a Inteligência Artificial. Devemos aprender a cooperar com ela. E, o mais importante, devemos aprender a cooperar entre nós. O futuro exigirá mais humanidade, não menos que isso.

Considerações finais:

O capítulo 1 de 'O Futuro é Coop', de 2024, deixa o recado de que o futuro já começou e ele não pertence aos mais fortes ou aos maiores. Pertence às redes mais inteligentes, mais ágeis e mais colaborativas. Martha Gabriel defende que para sobreviver e prosperar nesse novo mundo é preciso mudar a mentalidade atual. É preciso sair da lógica do controle, do ego e da competição e entrar na lógica do compartilhamento, da soma e do propósito. As organizações e pessoas que entenderem isso primeiro estarão na frente. As que insistirem no modelo antigo correm o risco de desaparecer. Portanto, mais do que uma tendência, a cooperação é uma necessidade estratégica para o século 21."

Artigo pelo Acadêmico Vicente Pacheco

Membro da Academia de Ciências Contábeis do Paraná e da Academia Brasileira de Ciências Contábeis

 As informações e opiniões manifestadas neste artigo são de inteira responsabilidade dos autores, e não necessariamente são endossadas ou refletem posições do CRCPR ou da ACCPR. 

Referências bibliográficas:

GABRIEL, Martha. O Futuro é Coop. p. 17-25.

DICKENS, Charles. O MELHOR DOS TEMPOS, O PIOR DOS TEMPOS. O Conto das Duas Cidades, cap. 1, publicado em 1859.

Reprodução permitida, desde que citada a fonte.

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