Com exceção das campanhas sociais, que já vinham representando um certo diferencial e abertura, o Dia do Contabilista tem sido comemorado de modo mais ou menos restrito. Este ano, decidimos marcar a data de forma inesquecível, com um grande show musical, em Curitiba, dia 7 de maio, no Paraná Clube.
Essa mudança na forma de celebrar o nosso dia traduz a nova postura do contabilista, um profissional que vem efetivamente se tornando mais aberto, mais integrado à sociedade, sendo valorizado pelas empresas e pelos órgãos públicos, conquistando reconhecimento e respeito.
Reflexo eloqüente disso foi a corajosa determinação com que as entidades contábeis aderiram aos embates em torno da derrubada da MP 232, junto com inúmeras outras classes, em uma mobilização histórica. Quero lembrar que o movimento que resultou na queda da MP, dia 31 de março, na Câmara Federal, nasceu no Conselho Regional de Contabilidade do Paraná. É claro que essa vitória rende méritos a toda a sociedade brasileira quanto à sua capacidade de dizer não a uma política econômica exclusivamente preocupada com a arrecadação.
Não somente o setor de serviços, ao qual pertencemos, está no limite da sua capacidade contributiva, mas toda a população não suporta mais aumento de imposto, taxa, contribuição, pesando sobre o trabalho, serviços, mercadorias e produtos. Temos uma das cargas tributárias mais altas do mundo e não vemos retorno em serviços públicos. Este é um fator que, ao lado do excesso de regulamentações e de taxas de juros altíssimas, cria um ambiente francamente desfavorável às atividades econômicas e à superação dos problemas de desemprego e pobreza.
O governo demorou, mas teve bom senso ao retirar a MP e editar outra medida, mantendo apenas a parte boa da 232: a correção da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física em 10%, deixando os pontos polêmicos para serem discutidos por meio de projeto de lei. Afinal, é desta forma que todas as propostas devem ser encaminhadas ao Congresso Nacional.
Vale observar, para bem fixar a lição, que a derrubada da MP 232 ocorreu justo no aniversário do golpe militar: impor medidas, leis, decretos, atos institucionais era prática da ditadura. O clima político e social que respiramos agora, no entanto, não só permite como pede a participação da sociedade na discussão de tudo que lhe disser respeito.
Estamos avançando na democracia. Graças a Deus. Não cabem mais posturas impositivas e dissimuladas da parte de governo nenhum. Simpáticos ou não, todos os projetos, programas, políticas, antes de sancionados, têm que ser submetidos ao crivo do povo; no mínimo, dos seus representantes.
Com esse movimento, acredito que as entidades de classe descobriram, na prática, o seu novo papel no cenário nacional: defender também os interesses coletivos, além dos corporativos. Descobriram mais que precisam juntar suas forças, formar grandes parcerias, sensibilizar a população e a imprensa.
É pelo menos o que nós, contabilistas, estamos descobrindo, procurando desenvolver por meio das nossas entidades de classe e é o que cabe comemorar por ocasião desse 25 de abril.
Maurício
Fernando Cunha Smijtink
Presidente do CRCPR