:: As diversidades no currículo do curso de ciências contábeis na visão de professores de Curitiba e região metropolitana*

RESUMO

No I Encontro de Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana foi elaborada uma proposta de estudo e análise das ementas do curso de Ciências Contábeis, promovendo o intercâmbio e troca de técnicas pedagógicas. O objetivo da pesquisa é promover o intercâmbio de técnicas pedagógicas, possibilitar a integração entre os professores, criar um referencial ementário das disciplinas técnicas, estimular debates relativos ao ensino aprendizagem. A pesquisa dar-se-á através de descrição e análise de procedimentos, discussões e resultados do encontro. O curso de Ciências Contábeis está inserido em um ambiente que sofreu e sofre mudanças constantes, em conformidade com os novos ditames da legislação, bem como o profissional desejado pela sociedade. A elaboração de um ementário unificado trará vantagens conjuntas às Instituições de Ensino Superior (IES), ao currículo, aos acadêmicos, aos professores e à comunidade contábil.

Palavras-chave: Ciências Contábeis. Currículo. Ementa. Professores.
1 - INTRODUÇÃO

Compreendendo a natureza social da atividade contábil, no contexto político e econômico vigente, e, considerando que a área das Ciências Contábeis deixa de ser o registro eficaz das transações econômicas e passa a ter responsabilidade e papel amplo no direcionamento das ações empresariais, iniciando no processo estratégico, orçamentário, registro e elaboração de indicadores de melhoria, vem este profissional contribuir em todas as entidades no processo de gestão.
Muito do que a contabilidade é pode ser aferido pelo que a contabilidade realiza dentro da atividade econômica. Pode-se facilmente verificar que um sistema simples de registro e análise contábil não falta nem mesmo na mais rudimentar das organizações. Em certas organizações pequenas, poderão faltar o economista, o engenheiro e o técnico em administração, mas certamente não faltará o técnico em contabilidade para “tocar” a escrituração, como vulgarmente se afirma. Isto caracteriza a essencialidade da função contábil. E, de acordo com a evolução da forma organizacional e com as dimensões do empreendimento, avoluma-se e enobrece a função contábil (IUDÍCIBUS, 2000, p.31).
Esta referência molda-se ao intento deste artigo: revelar a preocupação de uma equipe de professores, que em conjunto com o Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, reúne-se mensalmente, em Curitiba, para fomentar a ciência contábil, e nos dias 25 e 26 de julho de 2003, nas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba – Inove, realizou o I Encontro de Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana.
Segundo o relatório do encontro foram levantados os seguintes objetivos:
- Promover o intercâmbio de técnicas pedagógicas práticas no ensino contábil;
- Possibilitar a integração entre os professores de Ciências Contábeis;
- Criar um referencial para os ementários das disciplinas técnicas;
- Estimular debates relativos ao ensino-aprendizagem.
A justificativa apresentada para a realização do evento indica dificuldades inerentes ao currículo das IES. Em Curitiba e na sua região metropolitana, existem atualmente catorze cursos de Ciências Contábeis. É compreensível que a verificação desse número leve a uma pluralidade de Planos Curriculares. A par do valor e do respeito que deve existir em relação à concepção filosófica das várias Instituições de Ensino Superior (IES), observa-se a existência de alguns tipos de problemas. Entre outros, a diversidade tem ocasionado dificuldades significativas para acadêmicos que, por uma série de razões, necessitam transferir-se de uma IES para outra, retardando a integralização dos conteúdos e o acesso ao mercado de trabalho.
A organização do evento considerou oportuno um estudo e avaliação do ementário que vem sendo implementado pelas diferentes IES, eximindo-se de uniformizar conteúdos acadêmicos, mas intentando buscar uma referência de unidade dos programas em desenvolvimento.
O resultado do evento mostrou ser imperioso discutir e encontrar parâmetros que levem à formação de bacharéis em Ciências Contábeis qualificados e competentes, que venham a atender aos princípios e preceitos emanados da Ciência Contábil, na esperança de que contribuam para o desempenho eficaz das prerrogativas profissionais, estimando “que agreguem valor na busca do crescimento sustentado das atividades empresariais”.
Esta introdução presta-se a compor um tema que discute o currículo do curso de Ciências Contábeis e o parâmetro alcançado com relação a ele, por ocasião desse encontro.

2 - MARCO TEÓRICO

A literatura tem provido um sortimento considerável a respeito da contabilidade, de sua história e de sua crescente evolução, incluindo as novas e modernas responsabilidades que o contabilista passou a assumir no contexto empresarial, econômico, político e social vigente.
O objetivo deste título é discorrer brevemente sobre alguns tópicos essenciais ao conhecimento de todas as nuanças que envolvem a ação do contabilista e sua relação com o ambiente, apresentando, também, uma abordagem ao enunciado legal quanto ao curso de Ciências Contábeis.

2.1 - História da Contabilidade

As verdadeiras origens da contabilidade não são conhecidas, pois a mesma existe desde os tempos mais remotos. Porém, nos séculos XIII e XIV, a contabilidade começou a se desenvolver, gradativamente, em diversos centros de comércio no norte da Itália. O primeiro registro de um sistema completo de escrituração por partidas dobradas é encontrado nos arquivos municipais da cidade de Gênova, Itália, cobrindo o ano de 1340. Fragmentos anteriores são encontrados nas contas de Giovanni Farolfi & Companhia, uma empresa de mercadores de Florençã em 1290-1300. O primeiro codificador foi um frei franciscano chamado Irmão Luca Pacioli, amigo do Papa Leão X e também de Leonardo da Vinci. Seu livro chama-se Summa de arithmetica, geometrica, proportioni et proportionalitá, que apareceu em Veneza em 1494 (HENDRIKSEN, 2003, p. 39).
Em relação a esse fato, Hendriksen(2003, p. 41) afirma que os termos débito e crédito: dívidas, devedores, debêntures e débitos resultam da palavra debere, ou dever, cuja contração é dr, utilizada nos livros diários. Crédito vem da mesma raiz da palavra credo, ou seja, algo em que se acredita, como a profissão de fé cristã enunciada no Credo dos Apóstolos. Também pode referir-se a pessoas nas quais se acredita, como credores, em quem são depositados votos de confiança oferecendo algo que pode ser monetário ou não. A origem latina é credere, cuja contração é cr, nos lançamentos de diário.
Entretanto, dados indicam que há mais de 20.000 anos, no Paleolítico Superior, quando era ainda primitiva a civilização, já havia a indústria de instrumentos como forma de uso de uma inteligência desenvolvida, de onde surgiram as observações do homem em relação a suas provisões que eram sua riqueza patrimonial (SÁ, 1999).
Foram essas observações empíricas que produziram a idéia originária de “coisa que se pode dispor para obter-se a utilidade, como meio apto para suprir necessidades, ou seja, o patrimônio” (SÁ, 1999, p. 18).
Esse conhecimento possibilitou ao homem primitivo evidenciar a sua riqueza patrimonial, utilizando-se de sua arte para inscrições nas paredes das grutas, por meio de pinturas, e também através de pedaços de ossos, por meio de riscos ou sulcos. Ainda que de forma rudimentar, as inscrições procuravam, com desenhos, representar a qualidade da coisa, e com rabiscos ou riscos, a quantidade, formando um conjunto: qualidade e quantidade.
Os registros da contabilidade naquela época permitiram compreender que, à medida que mais coisas começaram a formar a riqueza, com maior variedade, também mais complexas foram ficando as inscrições, forçando a aprimorar o critério de registrar as contas (SÁ, 1999).

2.2 - A atuação do Contabilista

Atualmente, a contabilidade vem aprimorando sua atividade, podendo se dividir em contabilidade gerencial e contabilidade financeira que, segundo Hornegren (2004, p. 4), consiste no seguinte:
A contabilidade gerencial refere-se à informação contábil desenvolvida para gestores dentro de uma organização. Em outras palavras, a contabilidade gerencial é o processo de identificar, mensurar, acumular, analisar, preparar, interpretar e comunicar informações que auxiliem os gestores a atingir objetivos organizacionais. Em contrapartida, a contabilidade financeira refere-se à informação contábil desenvolvida para usuários externos, como acionistas, fornecedores, bancos e agências regulatórias governamentais.
Para falar sobre a área de atuação da contabilidade é preciso lembrar-se, a princípio, que o bacharel em Ciências Contábeis é um profissional de importância inquestionável, aos meios em que se serve, levando em consideração suas atribuições de esclarecer os fatos contábeis.
As referências de Silva (1992) lembram que a formação do profissional releva o desempenho de suas funções, devendo estar seguro do papel a exercer, de modo que a atuação do contador ultrapassa as atividades tradicionais, devendo o profissional buscar cada vez mais bases fundamentais de conhecimento da contabilidade, onde, nesta área, qualificação significa estar dotado de conhecimentos teóricos e habilidade prática.
Neste aspecto, para se alcançar um estágio de destaque, na profissão contábil, o interessado precisa mostrar iniciativa desde sua fase universitária, buscando o conhecimento. No entanto, o que tem ocorrido é a falta de consciência, por parte do estudante, da responsabilidade que o espera no futuro, diante do mercado de trabalho.
Esta necessidade da capacitação eficaz do profissional contábil se deve ao fato de, graças ao avanço das atividades comerciais, o mercado de trabalho ter se mostrado cada vez mais exigente. É preciso dar à classe contábil o seu devido valor, pelas autoridades competentes, pelos próprios profissionais e pelos órgãos representativos. “Alguma coisa necessita ser feita para que seja despertada a verdadeira função desses órgãos. Os conselhos regionais, os sindicatos e o conselho federal necessitam tomar providências urgentes para que a profissão de contador seja realmente uma profissão digna de toda a classe” (SILVA, 1992, p. 145).
Há que considerar o fato de o profissional de contabilidade, no Brasil, ser ainda desvalorizado, ao passo que a disciplina é de inegável importância nos países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, onde o contador ocupa uma profissão de muito prestígio.
O sistema educacional prejudica a boa formação do profissional contábil, uma vez que o curso de ciências contábeis é demasiado teórico e, muitas vezes, distante da realidade que a profissão exige, complementa Silva (1992).
O mercado de trabalho, porém, sempre oferece oportunidades para o bom profissional, existindo espaço para aqueles que alcançam destaque. Situações cotidianas, como a crise financeira, por exemplo, sempre foi, é e será um desses motivos, uma vez que as empresas procuram encontrar, dentro das ciências contábeis, a saída para manter sua contabilidade, em meio a arrochos fiscais. A própria carga tributária, em suas alterações, instiga a buscar soluções razoáveis que produzam maiores ganhos possíveis através da contabilidade. Neste sentido, trazemos alguns conselhos para quem deseja ser um profissional contábil bem-sucedido, no mercado de trabalho, segundo Marion (2004, p. 21),
1. Valorize a profissão: é a única com desemprego zero, tem 23 áreas de especialização diferentes; o mercado não tem preconceito de idade para essa profissão (as pessoas acima de 40 anos conseguem trabalho).
2. Os professores de contabilidade normalmente são profissionais bem-sucedidos. Aproveite o máximo deles, pergunte, busque conselhos. Dedique-se ao máximo em seu curso. Se você utilizar o trabalho de um professor como consultor, depois do curso, isso vai custar-lhe caro, em média US$ 100,00 por hora.
3. Busque o conhecimento paralelo a seu curso: marketing contábil (como ter sua marca); conheça pelo menos mais uma língua (de preferência inglês); seja bom na área de informática (domine internet, softwares contábeis, planilhas eletrônicas, banco de dados...).
4. Seja um pesquisador por excelência. Não aceite apenas receber tudo “mastigado” do professor. Lá na empresa não haverá mais professor e você terá que buscar, descobrir conhecimento. Faça de sua escola um laboratório.
5. Há áreas de conhecimento que serão decisivas, além da contabilidade, em seu sucesso profissional: métodos quantitativos (matemática e estatística), disciplinas afins (administração e economia), legislação (direito) etc. Dedique-se ao máximo.
6. Aprenda a ser desinibido, a falar bem: participe de seminários (o contador é a pessoa que mais fala para induzir às decisões certas na empresa), manifeste opinião na sala de aula, leia um jornal diariamente e revistas de negócios. Fique atento aos professores que se expressam bem. Use dicionário várias vezes na semana.
7. O mercado não vê com bons olhos o “clínico geral” (o que sabe de tudo um pouco). Procure especializar-se, concentrar esforços em uma atividade contábil em que você tem mais dons (durante o curso, esses dons serão despertados): auditor (interno ou externo), planejador tributário, atuário, carreira acadêmica, concurso público, consultor, investigador de fraudes, empresário contábil, analista (financeiro, de crédito, de investimento), pesquisador contábil, escritor contábil etc.

2.3 - A Responsabilidade Social frente ao Papel da Contabilidade

A análise da atuação das empresas no campo social passou a ser feita, desde 1998, quando representantes de diversos países reuniram-se para esta finalidade, patrocinados pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – World Bureau Council for Sustentability Development (WBCSD). Surgiu, nessa oportunidade, a definição da responsabilidade social das empresas como sendo:
Responsabilidade social corporativa é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo (MELO NETO, 1999, p. 88).
O conceito de responsabilidade social por parte das empresas já é bastante difundido na maioria dos países desenvolvidos, ainda que, no Brasil, a preocupação dos empresários em contribuir para o bem-estar da sociedade seja relativamente nova.
Não passa despercebido, porém, um movimento cada vez maior das empresas no sentido de atuar com responsabilidades em relação a seus pares: funcionários, clientes, fornecedores, acionistas, à comunidade e ao meio ambiente (VIEIRA, 2000).
Sendo assim, a contabilidade social é imprescindível às empresas socialmente responsáveis, na intenção de deixarem de gastar recursos e aproveitar excelentes negócios em médio e até curto prazo (COHEN, 2000).
O balanço social não define com precisão e não busca medir de forma padronizada quanto a empresa recebeu e quanto está devolvendo, pois essa medida não é possível. O correto é que a contabilidade não estabelece as aplicações e origens dos recursos do balanço social da empresa, mas somente divulga suas atividades voltadas à sua comunidade interna e externa (TREVISAN, 2000).
Destaque-se que, desde o início do século XX, são registradas manifestações a favor do balanço social, embora a sociedade tenha iniciado uma cobrança de maior responsabilidade social das empresas apenas a partir dos anos 80, consolidando-se a própria necessidade de divulgação dos chamados balanços ou relatórios sociais.
Quanto ao balanço social, a primeira lei sobre a questão surgiu na França, em 12 de julho de 1977, privilegiando o bem-estar e satisfação dos empregados e seus dependentes e sua participação na gestão da empresa:
Segundo Melo Neto (1999, p. 122),
“...o balanço social recapitula num documento único os principais dados quantitativos permitindo apreciar a situação da empresa no domínio social, comportando informações sobre o emprego, as remunerações e encargos, as condições de higiene e segurança, as outras condições de trabalho, a formação, as relações profissionais e suas famílias, na medida em que estas condições dependem da empresa”.

A institucionalização do balanço social nas empresas brasileiras seguiu as diretrizes americanas, defendendo uma abordagem mais abrangente, enfocando o ambiente externo, dando apoio da empresa ao desenvolvimento comunitário onde atua, à geração de empregos, à preservação do meio-ambiente; ao investimento em tecnologia, entre outras diretrizes (MELLO NETO, 1999).

3 - METODOLOGIA DA PESQUISA

Como materiais, utiliza-se o Relatório da Comissão Organizadora do I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana. O método é de pesquisa descritiva e análise dos procedimentos, discussões e resultados do encontro.

4 - O CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS EM CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA.

4.1 - EMBASAMENTO NORMATIVO

A exposição, no evento, das disciplinas que compõem o currículo do curso de ciências contábeis, pela sua importância e dimensão, requer visualização conforme destacado a seguir:

QUADRO 1 – Disciplinas do curso de ciências contábeis divididas em grupos temáticos para o I Encontro de Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana.

Disciplinas do Grupo I Contabilidade Geral, Introdutória, Intermediária, Comercial, Fundamental, Básica e Fundamentos da Contabilidade.

Disciplinas do Grupo II Contabilidade Gerencial; Controladoria; Contabilidade e Análise de Custos; Gestão Estratégica de Custos e Contabilidade Industrial.
Disciplinas do Grupo III Teoria da Contabilidade, Contabilidade Avançada, Contabilidade Societária e Iniciação à Pesquisa Contábil.
Disciplinas do Grupo IV Auditoria e Perícia e Auditoria Governamental.
Disciplinas do Grupo V Análise das Demonstrações Contábeis, Finanças Empresariais, Gestão Financeira e Orçamentária e Administração Financeira e Orçamento Empresarial.
Disciplinas do Grupo VI Contabilidade Pública, Orçamento Público, LRF sob o aspecto contábil e Finanças Públicas.
Disciplinas do Grupo VII Contabilidade Aplicada, Bancária, Rural, Tributária, Imobiliária, Cooperativa, Seguros e Internacional.

Fonte: I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana, 2003.

A amplitude de disciplinas que o encontro discutiu e que são oferecidas pelas IES aos seus graduandos certamente vem a atender ao disposto pelo Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional de Educação (CNE) e Câmara de Educação Superior (CES), no disposto:
Os cursos de graduação em Ciências Contábeis deverão contemplar, em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular, conteúdos que atendam aos seguintes eixos interligados de formação:
I - Conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística;
II – Conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos atinentes às teorias da contabilidade, além de suas relações com a Atuária, e da Auditoria, da Controladoria e suas aplicações peculiares ao setor público e privado;
III – Conteúdos de Formação Teórico-Prática: Estágio Curricular Supervisionado, Atividades Complementares, Estudos Independentes, Conteúdos Optativos, Prática em Laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para Contabilidade (PARECER Nº CES/CNE 0146/2002).
Entretanto, o que o CES/CNE deseja, no ponto final da formação acadêmica do contabilista, é um perfil profissional responsável com seus pares em acordo com a lei e ressaltando habilidades individuais. O perfil desejado do formando em Ciências Contábeis, suas competências e habilidades, é assim desenhado, em acordo com o item 3.2.4 do Parecer Nº 146/2002 do CES/CNE.
• Perfil Desejado do Formando
O curso de graduação em Ciências Contábeis deve contemplar um perfil profissional que revele a responsabilidade social de seus egressos e sua atuação técnica e instrumental, articulada com outros ramos do saber e, portanto, com outros profissionais, evidenciando o domínio de habilidades e competências inter e multidisciplinares
• Competências e Habilidades
Quanto às competências e habilidades, os bacharéis em Ciências Contábeis deverão ser capazes de:
- utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem próprias das Ciências Contábeis e Atuariais;
- demonstrar uma visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil;
- elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais;
- aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis;
- desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão;
- exercer suas funções com expressivo domínio das funções contábeis e atuariais que viabilizem aos agentes econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional o pleno cumprimento da sua responsabilidade quanto ao gerenciamento, aos controles e à prestação de contas da sua gestão perante a sociedade, gerando também informações para a tomada de decisão, organização de atitudes e construção de valores orientados para a cidadania;
- desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial;
- exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos organizacionais.
Em conformidade com o desejado pelo CES/CNE, as Diretrizes Curriculares Nacionais elaboradas pela Comissão de Especialistas de Ensino de Contabilidade, propostas ao CNE pela SESu/MEC, considerando o que consta do Parecer Nº 146/2002 do CES/CNE, o art. 9º assim determina:
Art. 9º. O curso de graduação em Ciências Contábeis deve possibilitar a formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:
I - utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Contábeis e Atuariais;
II - demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil;
III - elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais;
IV - aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis;
V - desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão;
VI - exercer suas funções com o expressivo domínio das funções contábeis e atuariais que viabilizem aos agentes econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional o pleno cumprimento da sua responsabilidade quanto ao gerenciamento, aos controles e à prestação de contas da sua gestão perante a sociedade, gerando também informações para a tomada de decisão, organização de atitudes e construção de valores orientados para a cidadania;
VII - desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial;
VIII - exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos organizacionais.
O curso de graduação em Ciências Contábeis deve contemplar um perfil profissional que revele a responsabilidade social de seus egressos e sua atuação técnica e instrumental, articulada com outros ramos do saber e, portanto, com outros profissionais, evidenciando o domínio de habilidades e competências inter e multidisciplinares.
Recentemente, novas diretrizes foram expostas pelo Conselho Nacional de Educação que se pronunciou através da Resolução N° 6/ 2004, em seu artigo 2° § 1°,
I - objetivos gerais do curso, contextualizados em relação às suas inserções institucional, política, geográfica e social.
II - condições objetivas de oferta e a vocação do curso;
III - cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso;
IV - formas de realização de interdisciplinaridade;
V - modos de integração entre teoria e prática;
VI - formas de avaliação de ensino e da aprendizagem;
VII - modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver;
VIII - curso de pós-graduação lato sensu, nas modalidades especialização integrada e/ou subseqüente à graduação, de acordo com o surgimento das diferentes manifestações da contabilidade, com a inserção dos indispensáveis domínios da atividade atuarial, e de aperfeiçoamento, de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional;
IX - incentivo à pesquisa, como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica;
X - concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado, suas diferentes formas e condições de realização, observado o respectivo regulamento;
XI - concepção e composição das atividades complementares;
XII - inclusão opcional de trabalho de conclusão de curso sob as modalidades monografia, projeto de iniciação científica ou projetos de atividades centrados em áreas teórico-práticas ou de formação profissional, na forma como estabelecer o regulamento próprio.
Nota-se uma evolução na nova resolução, com a abertura de um caráter mais científico para o curso de Ciências Contábeis, com no Item XII, no qual foi incluído o opcional de trabalho de conclusão de curso na modalidade monografia com o projeto de iniciação científica. Este fato sempre foi defendido pelos grandes teóricos contábeis brasileiros como SÁ (2002, p.38):
Admitir a contabilidade como ciência, pois, não é uma questão de opinião isolada de alguns homens, mas de uma objetiva forma racional de comparar tal classificação com as demais que se procedem no campo das demais ciências.
Não se trata de subjetividade, mas de objetividade.
Cabe-lhes, também, segundo a Resolução 6/2004 em seu artigo 5°
Contemplar conteúdos que revelem conhecimento do cenário econômico e financeiro, nacional e internacional, de forma a proporcionar a harmonização das normas e padrões internacionais de contabilidade, em conformidade com a formação exigida pela Organização Mundial do Comércio e pelas peculiaridades das organizações governamentais, observado o perfil definido para o formando e que atendam aos seguintes campos interligados de formação:
I - conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística;
II - conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos atinentes às teorias da contabilidade, incluindo domínio das atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais, governamentais e não-governamentais, de auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao setor público e privado;
III - conteúdos de formação teórico-prática: estágio curricular supervisionado, atividades complementares, estudos independentes, conteúdos optativos, prática em laboratório de informática utilizando softwares atualizados para contabilidade.
O artigo 5° já prevê que o Curso de Ciências Contábeis tenha uma visão mais holística do mercado internacional. A disciplina de Contabilidade Internacional, que tem como objeto a harmonização contábil, já vem sendo ministrada em cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado no Brasil. Esta necessidade vem sendo comprovada há anos, justificada por CHOI (2001, p.1):
“É importante o entendimento internacional com o aumento da contabilidade nos negócios e mercado financeiro no mundo. Apresentou-se um volume de dólares atravessando fronteiras com remuneração de ações, triplicadas entre o período de 1995 e 1999, com um aumento de US$ 500 bilhões durante o período de 5 anos.”
Ainda temos no mundo uma desarmonia muito grande com relação a normas, segundo o próprio SÁ (2002, p. 55): “Na atualidade, a falta de harmonia das normas contábeis é uma realidade e um desafio”. A criação de disciplinas que participem no processo de harmonização contemplará para o egresso no curso de Ciências Contábeis um diferencial para o futuro profissional no contexto internacional.
O estudo e atualização das ementas dentro de uma instituição de ensino devem proporcionar ao aluno técnicas de ensino que o ajudem a se tornar um profissional reflexivo, é defendido por SCHON (2000, p. 25): “... as escolas profissionais devem repensar tanto a epistemologia da prática quanto os pressupostos pedagógicos sobre os quais seus currículos estão baseados e devem adaptar suas instituições para acomodar o ensino prático reflexivo como um elemento-chave da educação profissional”.

4.2 - Aspectos do Exame Nacional de Cursos

A Portaria Nº 3018 de 2001, do Ministério da Educação, instituiu para o curso de Ciências Contábeis, o Exame Nacional de Cursos.

O objetivo deste exame é:
a) identificar e mensurar o nível de conhecimentos adquiridos pelos alunos dos Cursos de Ciências Contábeis;
b) contribuir para melhorar a qualidade dos cursos de Ciências Contábeis;
c) contribuir para que os cursos de ciências contábeis garantam aos graduandos a posse de formação generalista-humanística e as habilidades e conhecimentos técnicos gerais e específicos.
O perfil desejado para o graduando em Ciências Contábeis:
a) postura ética geral e profissional, com responsabilidade social;
b) capacidade de raciocínio lógico e desenvolvimento de análise e juízo críticos;
c) visão holística, sistêmica e gerencial;
d) capacidade de iniciativa e de interação com a comunidade;
e) consciência da importância da educação continuada para o exercício da profissão;
f) abertura às inovações tecnológicas;
g) visão global do cenário econômico e financeiro nacional e internacional, em que se insere a contabilidade.
Competências e habilidades que devem ser adquiridas ao longo do curso:
a) comunicação e expressão corretas em língua portuguesa;
b) uso apropriado da linguagem contábil;
c) análise e interpretação dos fenômenos que dão origem à prática contábil;
d) desenvolvimento de raciocínio lógico, para a formação e emissão de juízos críticos fundamentados;
e) criação e elaboração de sistemas de informações contábeis para fins decisórios;
f) análise de sistemas de informações para fins decisórios.
Conteúdos para o exame Nacional de Cursos de Ciências Contábeis em 2002:

I – Formação Geral
a) Língua Portuguesa;
b) Noções de Direito;
c) Noções de Ciências Sociais;
d) Ética Geral e Profissional.

II – Formação Profissional Básica:
a) Administração Geral;
b) Economia;
c) Direito Aplicado (incluindo legislação societária, comercial, trabalhista e tributária);
d) Matemática;
e) Estatística.

III – Formação Profissional Específica:
a) Contabilidade Geral;
b) Teoria da Contabilidade (incluindo Normas Brasileiras de Contabilidade);
c) Análise das Demonstrações Contábeis;
d) Auditoria;
e) Administração Financeira e Orçamento Empresarial;
f) Contabilidade Pública;
g) Contabilidade e Análise de Custos.

O exame Nacional de Cursos representa um grande avanço para a educação brasileira, impondo uma melhoria no contexto curricular das instituições, que passaram a ser avaliadas pela qualidade do ensino que ministram a seus alunos.

4.3 - Exame de Suficiência do CFC

A resolução CFC nº 853/99, por sua vez, institui o exame de suficiência como requisito para obtenção de registro profissional em Conselho Regional de Contabilidade. Este exame é a prova de equalização destinada a comprovar a obtenção de conhecimentos médios, consoante os conteúdos programáticos desenvolvidos no curso de bacharelado em Ciências Contábeis.
A prova para os bacharéis em Ciências Contábeis abrange as seguintes áreas:
a) Contabilidade Geral
b) Contabilidade de Custos;
c) Contabilidade Pública;
d) Contabilidade Gerencial;
e) Noções de Direito Público e Privado;
f) Matemática Financeira;
g) Teoria da Contabilidade;
h) Legislação e Ética Profissional;
i) Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade;
j) Auditoria Contábil;
k) Perícia Contábil;
l) Português;
m) Conhecimentos Sociais, Econômicos e Políticos do País.
Apresentada a revisão bibliográfica, o próximo item aborda os dados encontrados no estudo comparativo e a correspondente discussão dos resultados.

4.4 - COMPARAÇÃO ENTRE O EXAME NACIONAL DE CURSOS E O EXAME DE SUFICIÊNCIA

Tanto o exame de suficiência do Conselho Federal de Contabilidade quanto o exame nacional de cursos, promovido pelo Ministério de Educação, têm como objetivo a avaliação dos conhecimentos obtidos durante o curso de graduação em Ciências Contábeis. Foi realizada comparação entre o conteúdo requerido por cada um deles. Os resultados são percebidos a seguir:
Quadro 2 – Comparação do Conteúdo do Exame Nacional de Cursos e do conteúdo do Exame de Suficiência
Exame Nacional de Cursos
(Portaria nº 3.018/2001)
Conselho Federal de Contabilidade
(Resolução CFC nº 853/99)

Língua Portuguesa Português
Noções de Direito Noções de Direito Público e Privado
(Fontes e Hierarquia da Norma, Estado e Constituição, Poderes do Estado, pessoa e seus atributos)

Noções de Ciências Sociais Conhecimentos Sociais, Econômicos e Políticos do País. (Cidadania, Regime Político Brasileiro e Democracia, Classes e os Direitos Sociais)
Ética Geral e Profissional Legislação e Ética Profissional
Administração Geral
Economia Conhecimentos Sociais, Econômicos e Políticos do País. (Economia Brasileira)
Direito Aplicado (incluindo legislação societária, comercial, trabalhista e tributária) Noções de Direito Público e Privado
(Tipos de Sociedades, Contratos, Crimes contra a Ordem Econômica, Tributos e suas espécies, Créditos Tributários, Contratos de Trabalho em relação aos empregos, Direitos Trabalhistas, Empregado e Empregador, Previdência Social e benefícios)
Matemática Matemática Financeira
Estatística
Contabilidade Geral Contabilidade Geral
Teoria da Contabilidade (incluindo Normas Brasileiras de Contabilidade) Teoria da Contabilidade, (Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade)
Auditoria Auditoria Contábil
Administração Financeira e Orçamento Empresarial Contabilidade Gerencial (As Demonstrações Contábeis na Avaliação de Desempenho, Avaliação de Empresas)
Contabilidade Pública Contabilidade Pública
Contabilidade e Análise de Custos Contabilidade de Custos e Contabilidade Gerencial (Análises Alicerçadas no Grau de Ocupação da Entidade)
Perícia Contábil
Contabilidade Gerencial (Conteúdo da Contabilidade Gerencial)

Fonte: Levantamento de campo, 2003.

Nota-se que ambas determinações para o currículo mínimo apresentam pequenas diferenças e acabam se complementando. Como exemplos, pode-se citar as disciplinas de Administração Geral e Estatística, no exame nacional de cursos; e no exame de suficiência, as disciplinas de Perícia Contábil e Contabilidade Gerencial do Conselho Federal de Contabilidade.

4 - RESULTADO DO ENCONTRO

O encontro, objeto deste estudo, obteve êxito na periodização das disciplinas com a conseqüente divisão que foi apresentada pelos grupos de discussão, obedecendo ao exposto no quadro 3:

QUADRO 3 – Divisão das disciplinas apresentadas como sugestão dos grupos de discussão
Fonte: I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana, 2003.
A participação dos grupos de discussão permitiu um encaixe harmônico de todas as disciplinas que compõem o currículo do curso de Ciências Contábeis. Este primeiro esboço foi providencial para a elaboração de uma proposta da comissão organizadora do evento, que formulou uma readequação na divisão das disciplinas, fornecendo um parâmetro inicial satisfatório.
O resultado dessa proposta é apresentado no Quadro 4 a seguir:

QUADRO 4 - Sugestão da comissão organizadora

Fonte: I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana, 2003.
O atendimento aos objetivos do I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana foi possível, com o estabelecimento de um parâmetro, ou um referencial para os conteúdos das disciplinas técnicas, dando condições para que os professores pudessem discutir e apontar os pontos críticos no que se refere às ementas e ao ensino-aprendizagem.
A análise deste resultado requer elencar os resultados auferidos no encontro, votados em plenário, que de modo sintetizado apresentamos no Quadro 5. Tais resultados respondem ao objetivo do encontro, testemunhando em favor ao almejado pelos organizadores.

QUADRO 5 - Ementários das disciplinas propostos pelos grupos de discussão e aprovados pelo plenário

Disciplina: Contabilidade Introdutória Fundamental.
Objetivos: Transmitir as noções básicas da contabilidade, objetivando obter uma visão geral da ciência contábil e sua aplicação nas diversas atividades vinculadas à gestão empresarial.
Ementa: Noções básicas de contabilidade; Princípios Fundamentais de Contabilidade; Patrimônio; Situações líquidas patrimoniais; Patrimônio Líquido; Contas; Plano de contas; Ato e Fatos administrativos; Noções de débito e crédito; Escrituração contábil; Balancete de Verificação; Operações básicas de mercadorias; Depreciação; Demonstrações contábeis – Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado.

Disciplina: Contabilidade Intermediária
Objetivos: Transmitir aos alunos conhecimentos teóricos e práticos da disciplina, para que este possa executar, interpretar e analisar a estrutura contábil empresarial e compreender a influência da Contabilidade nos resultados econômicos e financeiros obtidos pelas empresas.
Ementa: Normas Brasileiras de Contabilidade; Aspectos contábeis da Lei nº 6404/76; Balanço Patrimonial: estrutura legal, critérios de classificação e avaliação dos elementos patrimoniais; Demonstração do Resultado do Exercício (Lucros e Perdas) estrutura legal e modelos; Demonstração de Fluxo de Caixa: estruturação e modelos; Escrituração contábil, depreciação, amortização e exaustão; Inventário geral: operações com mercadorias, cálculos e apropriação de tributos; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido: estruturação e modelos; Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.

Disciplina: Contabilidade e Análise de Custos
Objetivos: Identificar os principais métodos de custeio e suas potencialidades, reconhecendo a importância da informação de custos na tomada de decisão.
Ementa: Introdução (origem, histórico e evolução); conceitos e Terminologias; elementos de custos (MP, Mão de Obra e CIFs); sistemas de custos (custo real e custo padrão), sistema de acumulação de custos (produção por ordem e por processo); métodos de custeio (absorção, variável ou direto e ABC). Observação: lecionar concomitantemente nos tópicos transcritos (margem de contribuição, ponto de equilíbrio, alavancagem operacional, margem de segurança).

Disciplina: Contabilidade Gerencial
Objetivos: Proporcionar aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso, promovendo a integração dos conteúdos das disciplinas orientada para suporte na tomada de decisão.
Ementa: Informações Contábeis para Decisões Especiais, (Incorporação, Cisão e Fusão de Empresas, Consolidação de Balanço – Contab. Avançada), Sistema de Gestão Econômica, Modelo de Sistema de Informação Contábil, Modelo de Informações Gerenciais para Pequenas e Médias Empresas, Análise Custo, Volume e Lucro. Alavancagem Operacional e Financeira., Orçamento empresarial, Gerenciamento dos Tributos na Empresas, Avaliação do desempenho através da Análise das Demonstrações Contábeis, Balanço Social, Avaliação de Ativos, Correção Integral, Estudo de Casos.

Disciplina: Controladoria
Objetivos: Capacitar o aluno a utilizar os sistemas de informação e controle existentes nas organizações, bem como, sua implantação, abordando sistematicamente a contabilidade como fonte de informações visando o suporte ao processo de gestão empresarial.
Ementa: A empresa como um sistema. Gestão empresarial; Filosofia da excelência empresarial; accountability; Ferramentas de medição de desempenho; Teoria Geral de controle; Controladoria; Controller; Sistema de informações gerenciais; Planejamento; Orçamento; Análise das demonstrações financeiras; Gestão da qualidade; Noções de Logística.

Disciplina: Contabilidade Societária
Objetivos: Criar e estruturar a base de dados e informações para atender os aspectos legais, fiscais e societários visando entender suas implicações nas demonstrações contábeis.
Ementa: Tipos de Empresas. Constituição e Gestão de Empresas. Estrutura Patrimonial das sociedades empresariais. Critérios e registros das operações contábeis ativas, passivas e apuração de seus resultados. Relatórios Contábeis. Demonstrações Financeiras. Análise básica das demonstrações financeiras.

Disciplina: Contabilidade Avançada
Objetivos: Transmitir os assuntos mais avançados da contabilidade com o objetivo de desenvolver profissionais com conhecimentos aprofundados para atender as exigências da economia globalizada harmonizando os preceitos contábeis das diversas escolas.
Ementa: Introdução ao estudo da Contabilidade Avançada. Aplicações de Recursos em Títulos e Valores Mobiliários. Avaliação de Investimentos Permanentes pelo método de custo e da equivalência patrimonial. Consolidação das Demonstrações Contábeis. Sociedades Controladas, Coligadas e Joint Ventures. Reestruturação Societária – Incorporação, Fusão e Cisão. Dissolução de Empresas. Conversão e Tradução para a moeda estrangeira.(opcional)

Disciplina: Iniciação a Pesquisa Contábil
Objetivos: Desenvolver o interesse pela pesquisa incentivando a leitura e o raciocínio crítico para apoio a elaboração de estudos aprofundados da Ciência Contábil.
Ementa: Método, Economia e Eficiência nos estudos. Estudo pela leitura trabalhada. Natureza do conhecimento científico. Método Científico. A pesquisa: Noções gerais, como proceder a investigação, como transmitir os conhecimentos adquiridos, Pesquisa e levantamento de dados pela Internet. Planejamento da Monografia. Escolha de um tema. Elaboração de um projeto científico e artigo técnico-científico.

Disciplina: Teoria da Contabilidade
Objetivos: Fornecer um instrumental para a compreensão e aplicação da contabilidade como Ciência Social enfocando a origem e evolução desta no Brasil e no mundo fixando conceitos essenciais da teoria contábil.
Ementa: História da Contabilidade. Objetivos da Contabilidade. A contabilidade como Ciência Social. Escolas do pensamento contábil. Estrutura Conceitual básica da Contabilidade no Brasil. Normas brasileiras de contabilidade. Critérios de avaliação – Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receita, Despesa, Perdas, Ganhos. Evidenciação.

Disciplina: Auditoria Operacional, Contábil e de Sistemas
Objetivos: Proporcionar e transmitir ao aluno conhecimento sobre técnicas, normas e procedimentos de auditoria que permitam a realização de trabalhos nas áreas operacional, contábil e de sistemas.
Ementa: Conceitos básicos, Normas de Auditoria, Controle Interno, Planejamento dos Trabalhos, Papéis de Trabalho, Relatório e Parecer de Auditoria, Técnicas de Auditoria, Auditoria das Demonstrações Contábeis, Auditoria Operacional e Auditoria em Sistemas.

Disciplina: Auditoria Operacional, Contábil e de Sistemas
Objetivos: Proporcionar e transmitir ao aluno conhecimento sobre técnicas, normas e procedimentos de auditoria que permitam a realização de trabalhos nas áreas operacional, contábil e de sistemas.
Ementa: Conceitos básicos, Normas de Auditoria, Controle Interno, Planejamento dos Trabalhos, Papéis de Trabalho, Relatório e Parecer de Auditoria, Técnicas de Auditoria, Auditoria das Demonstrações Contábeis, Auditoria Operacional e Auditoria em Sistemas.

Disciplina: Perícia Contábil
Objetivos: Proporcionar e transmitir ao aluno conhecimento sobre, normas e procedimentos de perícia que permitam a realização de trabalhos nas áreas contábil e processual.
Ementa: Conceitos básicos, Normas Periciais, Espécies de Perícias, Plano de Trabalho, Aplicações Importantes da Perícia Contábil, Tipos de Fraudes e o Papel do Perito, Laudos Periciais, Cálculos e Remuneração do Trabalho Pericial.

Disciplina: Finanças e Orçamento Empresarial
Objetivos: Desenvolver conhecimentos, habilidades e técnicas que possibilitem ao aluno um visão geral da gestão financeira da entidade e seu ambiente no curto, médio e longo prazo.
Ementa: Introdução as finanças corporativas, ambiente financeiro brasileiro, analise das demonstrações financeiras, analise dinâmica das demonstrações financeiras, ciclos operacionais, desempenho operacional e alavancagem financeira, gestão baseada no valor, medidas de criação de valor, decisões financeiras de longo prazo, estrutura de capital, decisões de dividendos, capital de giro, administração de caixa, administração de valores a receber, administração de estoques, noções de orçamento.

Disciplina: Análise das Demonstrações Contábeis
Objetivos: Capacitar o aluno a extrair e analisar os dados e informações das demonstrações contábeis para tomada de decisão econômica, financeira e mercadológica.
Ementa: Noções de Analise, reclassificações e padronização das demonstrações contábeis para analise, técnicas de analise, definição do parâmetro para comparação, interpretação da situação econômica financeira da entidade e elaboração de relatório e sugestões para tomada de decisão.

Disciplina: Contabilidade Governamental para Controle Social
Objetivos: Conscientizar e sensibilizar o aluno da importância da disciplina para o exercício da cidadania; Demonstrar as formas de integração da Contabilidade Governamental com outras áreas do conhecimento; Evidenciar conceitos e ferramentas operacionais da disciplina; Destacar a importância da accountability.
Ementa: Estrutura governamental; Processo de planejamento e orçamento público; Contabilidade aplicada ao setor público.

Disciplina: Contabilidade de Seguros
Objetivos: Proporcionar aos alunos conhecimentos básicos de uma seguradora e suas principais operações contábeis de acordo com a legislação específica.
Ementa: Conceitos básicos do mercado segurador; plano de contas de seguros; operações típicas de seguros; demonstrações contábeis das seguradoras; indicadores econômicos financeiros.

Disciplina: Contabilidade Internacional
Objetivos: Proporcionar aos alunos as reflexões sobre o âmbito da contabilidade internacional, buscando a análise das diferenças e similaridades do pensamento contábil, princípios, normas e procedimentos vigentes nos diversos países procurando a uniformização das práticas contábeis.
Ementa: Contextualização da Contabilidade Internacional; Normas Internacionais de Contabilidade; Critérios Contábeis adotados em diferentes países; Conversão de Demonstrações Financeiras; Preço de Transferência – Transfer Pricing.

Disciplina: Contabilidade Rural e Imobiliária
Objetivos: Transmitir aos alunos conhecimentos da atividade rural, construção e imobiliária, abordando aspectos da legislação fiscal e principio contábil
Ementa: Rural: introdução; formas de exploração; tipos de cultura; ciclo operacional; fluxo contábil; depreciação; legislação e cooperativas. Pecuária: introdução; tipos de atividades; ciclo operacional; contabilização mercado x custo; depreciação e legislação. Construção civil: introdução, contratos de curto e longo prazo; contabilização e legislação. Imobiliária: introdução; operações contábeis e locação.
Fonte: I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana, 2003.

Nesta lista, os objetivos e as ementas de cada disciplina foram contemplados de modo que o ensino e a aprendizagem da contabilidade, de acordo com os participantes do encontro, têm possibilidades de ser implementados nos currículos das IES.

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não se compreende o término deste artigo como apenas mais uma abordagem ao currículo do curso de Ciências Contábeis e de como as disciplinas podem facilitar o acesso e as mudanças das IES. Na verdade, o propósito do artigo foi apresentar uma discussão acerca do currículo, mas, quem sabe, também, permear uma nova estratégia de formação acadêmica desejada pelo estudante e pelo mercado de trabalho.
O encontro, premissa do estudo, revelou-se uma mostra de altíssima iniciativa por parte de professores que sentem e agem de forma conjunta em favor da formação acadêmica do contabilista.
Parece que a contabilidade, enfim, passa a ser um tema que desencadeia novas opiniões, estudos, estimativas por parte das IES, no momento em que sugerem um perfil específico do contabilista, em sua interação com o mercado de atuação.
Eventos como o I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana conseguem coroar uma diagnose alinhada com as novas necessidades que a contabilidade exige. Contudo, muito ainda há que se fazer, um ponto permanente de pesquisa e de atualização que cabe à educação promover.

REFERÊNCIAS

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BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução n° 6, de 10 de março de 2004. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, e dá outras providências.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 3018, de 18 de Dezembro de 2001.
BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. Resolução 853. de 28 de julho de 1.999. Institui o Exame de Suficiência como requisito para obtenção de Registro Profissional em Conselho Regional de Contabilidade.
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HENDRIKSEN, E. S; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. Tradução da 5. ed. Americana por Antonio Zoratt Sanvicente. Southern Methodist University. São Paulo: Atlas, 1999.
HORNEGREN, Charles T. Contabilidade Gerencial. Tradução por Elias Pereira. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
IUDÍCIBUS, Sérgio. de. Teoria da contabilidade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
I Encontro dos Professores de Ciências Contábeis de Curitiba e Região Metropolitana. Relatório da Comissão Organizadora. Curitiba, PR, 2003.
MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
SÁ, Antonio Lopes de. Teoria da Contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
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SILVA, E. de L. XIV Congresso Brasileiro de Contabilidade. A Valorização do Bacharel em Ciências Contábeis: Um Enfoque para Reflexão. CFC, Brasília, 1992.
SCHON, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Tradução por Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre, Artes Médicas Sul, 2000.
MELO NETO, F. P. de. Responsabilidade social e cidadania empresarial: a administração do terceiro setor. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1999.
VIEIRA, W. de S. Balanço social: uma resposta válida de participação comprometida com a sociedade de pertencimento. Disponível em: <hhtp://www.cra.rj.org.br/ cases/artigos> Acesso em: 22 nov. 2003.
O balanço social não deve ser obrigatório. Revista Trevisan. nº 147, 2000.

** Estudo apresentado no XVII Congresso Brasileiro de Contabilidade, 24 a 28 de outubro, em Santos.

Rosenei Novochadlo da Costa
Mestrando em Ciências Contábeis pela FURB – Fundação da Universidade Regional de Blumenau, Professor da FAE Business School.
e-mail: novochadlo@yahoo.com.br

Vilson José Masutti
Contador, Professor e Coordenador do Curso de Ciências Contábeis do Centro Universitário Positivo. Doutor em Ciências Empresariais pela Universidad Del Museo Social Argentino. Mestre em Economia pela UFRGS
e-mail: vjmasutti@unicenp.br

Valdir João Falat
Contador, Professor e Coordenador do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Cruz – Inove. Mestre em Gestão Financeira das Empresas pela Universidad de Extremadura-Espanha. Doutorando em Gestão de Empresas pela University Central Europe
e-mail: falat@santacruz.br

Cláudio Nogas
Contador, Professor e Coordenador do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Mestre em Contabilidade e Controladoria pela Unopar.
e-mail: claudio.nogas@utp.br

José Luis de Castro Neto
Contador, Mestre e Doutor em Contabilidade pela USP – Universidade de São Paulo – Professor do Mestrado em Contabilidade da FURB – Fundação da Universidade Regional de Blumenau. Professor do Mestrado em Contabilidade na Fundação Visconde de Cairu. Professor do Mestrado Universidade Presbiteriana Mackenzie.
e-mail: njcastro@uol.com.br

 
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