Porque departamentalizar os custos indiretos de fabricação

Rodrigo Fiori


RESUMO

Segundo Lawrence (1977 p.1) "Contabilidade de Custos é o processo ordenado de usar os princípios da contabilidade geral, para registrar os custos de operação de um negócio, de tal maneira que, com os dados da produção e das vendas, se torne possível à administração utilizar as contas para estabelecer os custos de produção e de distribuição, tanto por unidade como pelo total, para um ou para todos os produtos fabricados ou serviços prestados e os custos das outras diversas funções do negócio, com a finalidade de obter operação eficiente, econômica e lucrativa". A contabilidade de custos utiliza-se da departamentalização para que possa ocorrer uma correta alocação dos custos indiretos de fabricação aos produtos. Cada custo é agregado primeiramente ao departamento e então para o produto, diminuindo assim a margem de erro da lucratividade de cada produto. A grande virtude da departamentalização é a correta distribuição dos custos indiretos de fabricação.

 

1. INTRODUÇÃO

A departamentalização é resultado de um estudo feito pela administração da empresa, que leva em conta as várias especialidades e as diversas atividades ou funções. É a divisão do trabalho baseada na capacidade específica de cada pessoa ou grupo de pessoas. A departamentalização se destina a separar as atividades de uma empresa de acordo com a natureza de cada uma delas, procurando maior eficiência nas operações. Está apresentada em termos práticos no organograma, princípio para que possa haver a departamentalização. A contabilidade de custos utiliza-se dessa departamentalização para distribuir os custos indiretos de fabricação aos produtos elaborados pela entidade.

 

2. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para exemplificar o que ocorre com os custos dos produtos de uma empresa sem departamentalização em relação a uma empresa departamentalizada vamos utilizar as informações de (MARTINS, 2000, p.67-70). Suponhamos que uma empresa, produzindo três produtos, D, E, e F, tenha que alocar os seguintes custos indiretos: Depreciação de Equipamentos R$ 200.000, Manutenção de Equipamentos R$ 350.000, Energia Elétrica R$ 300.000, Supervisão de Fábrica R$ 100.000 e Outros Custos Indiretos R$ 200.000, formando um total de R$ 1.150.000. Devido à grande preponderância de Custos Indiretos ligados a equipamentos, decide-se então fazer a distribuição aos diversos produtos com base no tempo de horas-máquina que cada um leva para ser feito. Produto D 400 horas-máquina (40%), produto E 200 horas-máquina (20%) e produto F 400 horas-máquina (40%) em um total de 1.000 horas-máquina (100%).Portanto, atribuição dos custos indiretos e o cálculo do custo total ficariam: (Custo Indireto médio por hora-máquina = R$ 1.150.000 ÷1.000 hm = R$ 1.150/hm). Ficariam alocados a cada produto os seguintes valores de Custos Indiretos: produto D R$ 460.000, produto E R$ 230.000 e produto F R$ 460.000. Suponhamos, entretanto, que, ao se analisar mais detidamente o processo de produção, se verifica que, apesar de os totais de horas-máquina consumidas serem aqueles mesmos, existe uma grande disparidade entre os produtos pelo seguinte: o produto D gasta um total de 400 hm, mas distribuídas nos setores de Corte, Montagem e Acabamento, enquanto que o produto E só passa pelo Corte, não necessitando nem de Montagem nem de Acabamento, e o Produto F só passa exatamente por esses dois setores, não precisando passar pelo Corte. A distribuição total é assim levantada: produto D 100 hm/Corte, 50 hm/Montagem e 250 hm/Acabamento, produto e 200 hm/Corte e produto F 250 hm/Montagem e 250 hm/Acabamento. Completando essa investigação adicional, verifica-se, também, que o gasto com os Custos Indiretos de Produção não é uniforme entre os setores, distribuindo-se conforme o quadro 1.

QUADRO 1

Corte (R$) Montagem (R$) Acabamento (R$) Total (R$)
Depreciação 100.000 30.000  70.000 200.000
Manutenção 200.000 30.000 120.000 350.000
Energia 60.000 40.000 200.000 300.000
Supervisão 50.000  20.000 30.000  100.000
Outros C.I.F 40.000 30.000 130.000  200.000
Total 450.000   150.000 550.000 1.150.000
Custo Médio
por
Hora-máquina
 450.000
÷300hm

=R$ 1.500/hm
150.000
 ÷300 hm
=R$ 500/hm
550.000
÷400 hm
= R$ 1.375/hm
 1.150.000
÷1.000 hm
= R$ 1.150/hm

Podemos agora efetuar uma apropriação dos Custos Indiretos de forma mais adequada, levando em cota o tempo de cada produto em cada Departamento e o custo por hora-máquina de cada departamento. Produto D: Corte(100hm x R$ 1.500/hm = R$ 150.000), Montagem (50hmx (50hm x R$ 500/hm = R$ 25.000) Acabamento (250 hm x R$ 1.375/hm = R$ 343.750) total de R$ 518.750; produto E: Corte (200 hm x R$ 1.500/hm = R$ 300.000; produto F: Montagem ( 250hm x R4 500/hm = R4 125.000) e Acabamento (150 hm x R4 1.375/hm = R$ 206.250) total de R$ 331.250. Podemos fazer uma comparação entre os valores dos Custos Indiretos alocados a cada produto sem a Departamentalização (uso de uma única taxa horária para todos) e com a Departamentalização (uma taxa para cada departamento), usando o quadro 2.

QUADRO 2 - Custos indiretos Sem departamentalização Com departamentalização  Diferença (R$) Diferença (%)
Produto D  R$ 460.000  R$ 518.750  R$ 58.750  12,8%
Produto E  R$ 230.000  R$ 300.000  R$ 70.000  30,4%
Produto F  R$ 460.000  R$ 331.250  (R$ 128.750)  (28%)
Total  R$ 1.150.000 R$ 1.150.000   - -

Atentando para a coluna diferença, verificamos o grau de distorção existente entre as duas formas, e, apesar de quaisquer arbitrariedades ocorridas na forma de apropriação por hora-máquina, é claro que na alocação com base na Departamentalização estarão sendo cometidas menos injustiças e diminuídas as chances de erros maiores.

 

3. CONCLUSÕES

Analisado as diferenças na distribuição dos CIF podemos perceber a representatividade que eles possuem sobre os produtos elaborados, interferindo na lucratividade dos mesmos. Ao apropriarmos os custos indiretos somente pelas horas-máquina consumidas obtínhamos um certo resultado em exemplo para o produto F de R$ 460.000 sendo que na realidade ele consumia de CIF somente R$ 331.250 uma diferença de R$ 128.750 e para o produto E R$ 230.000 sem departamentalização e R$ 300.000 com a departamentalização sendo a diferença R$ 70.000. Ao optarmos pelo corte ou aumento de produção de um determinado produto temos que levar em consideração os dados reais que o produto apresenta para que não ocorra uma decisão errônea. Se considerarmos como preço de venda do produto E o valor de R$ 300.000 sem a departamentalização ele estaria rendendo R$ 70.000 de lucro, sendo isso uma inverdade, pois com a departamentalização seu lucro é zero. Formando o preço de venda do produto Fa R$ 470.000 poderíamos dizer que sua lucratividade é somente de R$ 10.000 sem a departamentalização, porém, na verdade é de R$ 138.750 como apresenta a departamentalização. Supondo que uma entidade não departamentalizada escolha por cortar um produto dentre o E e o F certamente ela iria optar pelo F que subjetivamente apresenta a menor lucratividade, o que iria ocorrer um grande erro, pois, como demonstrado, pela departamentalização é o produto mais lucrativo. Portando, a Contabilidade de Custos torna-se uma grande fonte de informação para a decisão demonstrando a importância de contabilidade dentro de processo de gestão empresarial, a contabilidade é uma poderosa fonte de informação empresarial.

 

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LAWRENCE, William Beaty. Contabilidade de Custos. 5ª Ed. São Paulo: IBRASA, 1977.

LEONE, George Sebastião Guera. Curso de Contabilidade de Custos. 2ª Ed. São Paulo: ATLAS, 2000.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2000.


Rodrigo Fiori

e-mail: rfiori@catolico.com.br

Professor da UNIOESTE - Campus de Cascavel - Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Curso de Ciências Contábeis

 

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