Uma contribuição à classe contábil de como utilizar os fundamentos do marketing sem ferir o código de ética da categoria

Vicente Pacheco

O presente artigo foi elaborado, com extração de parte do texto da monografia intitulada: "Pesquisa realizada na cidade de Londrina Estado do Paraná com 3000 empresas mercantis em outubro de 1999", como parte integrante da dissertação de mestrado: "A Utilização do Marketing pelas Empresas de Serviços Contábeis de Londrina – PR. UNOPAR:2000" (Scarpin).


INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da contabilidade como ciência e profissão foi relativamente lento até o surgimento da moeda, pois até então havia somente a troca intensiva de produtos nos incipientes mercados, o que era chamado de escambo. A contabilidade é um instrumento gerador de informações para que os gestores das empresas possam tomar decisões. Verificamos que KIESO & WEYGANDT (1998, p.3), definem contabilidade com três características essenciais: identificação, mensuração e comunicação de informações financeiras sobre a entidade para pessoas interessadas, tanto no ambiente interno quanto externo à empresa.

Verificamos que IUDÍCIBUS (1997, p.20), comentando o relatório publicado em 1973 pelo AICPA - American Institute of Certified Public Accountants, o mais importante instituto de contadores americanos, faz uma afirmação de que a função fundamental da contabilidade (...) tem permanecido inalterada desde seus primórdios. Sua finalidade é prover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os ajudarão a tomar decisões.

Embora haja mudanças nos tipos de usuários e nas formas de informação que desejam, essa função da contabilidade é fundamental. Entendemos que os demonstrativos financeiros (relatórios contábeis), gerados pela contabilidade, devem prover as organizações de informações úteis para a tomada de decisões econômicas. Desta forma, a contabilidade se torna vital para a vida das empresas. No entanto, a contabilidade não esgota em si todas as informações necessárias à tomada de decisões, pelas empresas, pois é um recurso que a coloca como uma área do conhecimento humano de importância vital para a gestão empresarial.

Constatamos que os profissionais liberais sempre desfrutaram de uma significativa segurança por fazerem parte de um grupo de profissões necessárias à sociedade, num ambiente seleto e protegido. Mas atuam em um cenário cada vez mais competitivo, e cada vez menos valorizado, onde se exigem serviços inovadores em relação a épocas passadas. Os honorários são cobrados de forma diferente, às vezes com desprestígio total da classe, e os departamentos de contabilidade, dentro das empresas, muitas vezes estão instalados em locais sem destaque, resultando em profissionais que sentem-se inferiores.

O que decorre é que a comercialização de produtos e serviços, utilizando modernas técnicas de mercado, tem se instalado em todas as empresas, motivo pelo qual se poderia começar a pensar numa correlação entre marketing para serviços profissionais e a capacidade de esta abordagem influenciar a valorização da profissão contábil. É necessária uma adequada gestão de mercado para o serviço oferecido. A venda de um serviço de contabilidade é uma atitude essencial para criar, construir e manter a profissão e ou empresa de serviços contábeis produtiva e bem remunerada, e entendemos que para essas solidificarem sua estrutura, devem contar com serviços de marketing.

Os serviços de contabilidade envolvem trocas, principalmente em se tratando de serviços terceirizados, afirma NASI (1996, p.36), e que a terceirização dos serviços contábeis é um caminho cada vez mais procurado pelos empresários. Esta afirmativa é comprovada pelo quadro 1, que mostra que a maior parte das empresas1  possui sua contabilidade terceirizada.

QUADRO 1 - A empresa tem sua contabilidade executada por:
Alternativas Quantidade Porcentagem
Contador interno 613 20,43 %
Contador externo – escritório de contabilidade 2264 75,47 %
Em branco  123 4,10 %
Total  3000  100,00 %
Fonte: SCARPIN (2000)

1 Pesquisa realizada na cidade de Londrina Estado do Paraná com 3000 empresas mercantis em outubro de 1999 como parte integrante da dissertação de mestrado: A Utilização do Marketing pelas Empresas de Serviços Contábeis de Londrina – PR. UNOPAR:2000.


Ainda segundo NASI (1996, p. 36) caberá aos profissionais da contabilidade dar a resposta adequada às necessidades dos novos usuários. A não satisfação dos desejos dos clientes leva a uma estagnação e a desvalorização profissional. Portanto, verifica-se que o maior número de clientes dos contadores é atendido por contadores externos, portanto essa categoria necessita de um instrumento que lhe permita manter um estreito relacionamento com esse cliente, sob pena de não vir a conhecer e portanto ter condições de satisfazer as suas necessidades. Qual seria esse instrumento? De que forma a categoria de contabilistas poderia dele se utilizar? Nesse sentido, KOTLER e BLOOM (1990) explicam que o marketing tornou-se uma força difundida e influente em todas as profissões, e que evoluiu de uma imagem desfavorável de algo antiético e desnecessário para o reconhecimento de que se
trata de um componente essencial na formação e manutenção de uma atividade profissional compensadora e rentável.

As funções e atividades do profissional de contabilidade se encontram vinculadas com o "negócio" do consumidor, ou seja: o seu cliente. É por ele que a qualidade de seu assessoramento influi decisivamente numa série de elementos que, tomados em forma conjunta, representam a espinha dorsal da estratégia empresarial.

O marketing propõe em sua extensão todo um processo que aponta para a satisfação do cliente, o que implica diretamente na consciência do prestador de serviços a respeito do grau em que seu trabalho, de fato, esteja apropriado a essa finalidade. O profissional contábil tem, diante de si, oportunidades, sobretudo de aprimoramento de seus produtos e de valorização de sua pessoa e de sua profissão.

Entendemos que existe a necessidade de utilização de marketing como um instrumento para a valorização profissional, fazendo um paralelo entre a importância da contabilidade na vida das organizações e a pouca importância dada muitas vezes ao profissional gerador do produto "contabilidade", chamando a responsabilidade de valorizar-se ao próprio profissional contábil, que precisa além do aprimoramento técnico, utilizar-se de técnicas mercadológicas para vender o seu produto.

 

1. JUSTIFICATIVAS PARA QUE O PROFISSIONAL DA ÁREA CONTÁBIL VENHA A SE UTILIZAR DE MARKETING

Apesar da ciência contábil fornecer um manancial de informações detalhadas e precisas aos gestores de empresas, estes não foram ainda devidamente cientificados do alcance dessas e de sua importância para o planejamento e controle de suas atividades. Este fato tem inibido o crescimento, o desenvolvimento e o reconhecimento de muitos contabilistas e suas empresas de serviços de contabilidade.

O contabilista tem dinamizado seu trabalho, pela evolução dos sistemas operacionais e pela informática, e quase a totalidade das empresas de serviços de contabilidade está informatizada. Essas ferramentas permitem um salto de qualidade na atividade contábil que, como conseqüência, proporciona um aumento qualitativo e quantitativo das informações contábeis, tornando-se cada vez mais norteadora de caminhos para decisões administrativas.

A profissão contábil, sendo antiga e obrigatória, estaria atendendo os usuários, provendo-os de informações? Ou está gerando informações, que são o seu produto, e não consegue vender com credibilidade este produto? Percebe-se um espaço nessa comunicação. Várias frustrações do profissional contábil se devem à sua falta de capacidade para expor corretamente seu produto ante o interessado em seus serviços, perdendo excelentes oportunidades por não informar adequadamente a seu cliente os benefícios do seu trabalho. Estaria ele usando técnicas mercadológicas para mostrar a importância do seu produto? Muitas vezes não.

No mesmo pensamento, BEUREN (1998, p.30), afirma que se a contabilidade tem como uma de suas principais funções suprir de informações úteis aos gestores, cabe a ela gerar informações que dêem o devido suporte ao processo de tomada de decisões em todos os seus estágios. Da mesma forma, LEONE (1996, p.38), afirma: que o objetivo da contabilidade é prestar informações sobre o estado passado, atual e futuro desse patrimônio, sobre as mutações sofridas por ele e sobre as causas dessas mutações.

No entanto, percebe-se que há uma distância grande entre esta teoria catedrática e a prática contábil nos dias atuais. Cabe aqui uma reflexão a respeito dos relatórios gerados pela contabilidade e o respectivo conhecimento, finalidade e uso desses relatórios pelos usuários tomadores de decisões.

Faz-se necessária uma adequada gestão de mercado para o serviço oferecido. A venda de um serviço é uma atitude essencial para tornar a atividade contábil produtiva, valorizada e bem remunerada, que para solidificar sua estrutura deve contar com conceitos de marketing.

 

2. MARKETING DE SERVIÇOS CONTÁBEIS

O que é marketing? Uma correta interpretação do real significado do conceito "marketing" leva a um melhor posicionamento profissional. Em princípio, deve-se deixar claro que marketing não é exclusivamente venda, publicidade ou relações públicas.

De acordo com COBRA (1992, p. 29), marketing é mais do que uma forma de sentir o mercado e adaptar produtos ou serviços – é um compromisso com a busca da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Desta forma entendemos que as organizações na busca de sua sobrevivência, acabem por descobrir a importância de se orientar pelas necessidades e exigências do mercado, e neste aspecto a classe contábil não é exceção. Nesta mesma linha de pensamento, KOTELR (2000, p.15), afirma que as empresas nem sempre percebem que seus mercados estão sempre mudando e comenta que a estratégia vitoriosa do ano anterior pode ser hoje o caminho mais certo para o fracasso.

Constatamos também que KOTLER e ARMSTRONG (1999, p.3) definem marketing como sendo o processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e de que necessitam, criando e trocando produtos e valores uns com os outros. Portanto, conclui-se que marketing significa administrar mercados para se chegar a trocas, com propósito de satisfazer necessidades e desejos do homem. O conceito de marketing sustenta que para o alcance das metas de uma organização, é preciso que se determine as necessidades e desejos do mercado-alvo e se proporcione a satisfação desejada de forma mais eficiente que os concorrentes. O cliente não depende da empresa, a empresa é que depende dele. O marketing opera em um ambiente dinâmico e global.

Da mesma forma, KOTLER e BLOOM (1990, p.19), oferecem uma definição bastante ampla sobre o tema, quando afirmam que marketing é análise, planejamento, implementação e controle de programas cuidadosamente formulados que visam proporcionar trocas voluntárias de valores ou utilidades com mercados-alvo, com o propósito de realizar os objetivos organizacionais.

Portanto, marketing ocorre antes que ocorra qualquer venda, envolve criação de planos e é, portanto, um processo gerencial. Percebe-se que tem o propósito de ajudar as organizações a garantir a sua sobrevivência, atendendo seu mercado com eficácia, fazendo com que as mesmas consigam atingir os seus objetivos. Portanto entendemos que o marketing deve ser direcionado aos seus usuários para que possa produzir resultados. O marketing é mais difundido nas empresas mercantis que vendem produtos, mas uma das principais tendências mundiais é o crescimento dos serviços.

A prestação de serviços é responsável pelo aumento de empregos, faz parte da economia de todo o país. Grandes transformações estão ocorrendo nos ambientes das profissões, e uma das causas é a concorrência mais intensa, pois a cada ano aumenta o número de profissionais e o marketing pode ajudar as organizações prestadoras de serviços e, aqui, se enquadram as empresas contábeis.

A natureza e as características dos serviços são distintas. Os serviços são intangíveis, abstratos, variáveis, inseparáveis e perecíveis. Cada uma dessas características apresenta problemas específicos e requer estratégias bem definidas para se atingir a meta proposta. É preciso encontrar meios de torná-los mais tangíveis. O cliente precisa conhecer os benefícios que o produto acrescentará à sua vida ou sua empresa.

Observa-se, sob a visão do contabilista, que a falta de conhecimento sobre as vantagens dos serviços prestados, e a mudança constante nas leis, são os fatores que mais aparecem, o que se considera como uma das resultantes da falta de um programa de marketing sobre os serviços contábeis, pois apesar da contabilidade ser proveniente de longa data, por ser uma ciência e ter um código de ética profissional com tendências conservadoras, limitou o seu marketing à preparação das funções do contabilista.

Nos serviços, o composto de marketing: preço, distribuição e promoção se fazem presentes numa combinação e, nesta, há o envolvimento do cliente interno que são os funcionários e, com isso, o comportamento é elemento base desse cliente interno.

É necessário motivar os empregados para que estes possam executar suas tarefas com perfeição, criando um serviço essencial. É preciso criar diferenciações competitivas, ou seja, oferecer serviços de excelente qualidade e encontrar meios de aumentar a produtividade na prestação de serviços.

Verificamos que MOLLER (1992) reafirma este pensamento de que não é apenas a qualidade de produtos e serviços que é importante; a qualidade das pessoas que fazem produtos e prestam os serviços é igualmente crucial. Aqui está uma diferença substancial no que diz respeito a marketing de serviços. Numa empresa que vende produtos tangíveis, ou seja, bens de consumo, os produtos são padronizados e podem ficar estocados, aguardando o consumidor. Mas nos serviços, o cliente e o empregado, interagem para criar o serviço.

Na mesma linha MILIONI (1989, p.29) considera que há necessidade de desenvolver um bom programa de relações públicas, de forma que devemos fazer aquilo que é certo para o maior número de pessoas envolvidas. As vantagens são muitas. Formar uma boa imagem, mesmo para quem se presta serviços esporádicos, como exemplo observado nos serviços contábeis, que é o preenchimento da declaração do Imposto de Renda, para pessoas físicas, que é feito uma vez por ano. Isso consegue atrair bons relacionamentos, seja com funcionários, fornecedores ou clientes. Esta área é de certo modo restrita, o enfoque da atividade deve ser nessa região, apesar de que todo o mercado atual ou visado deve ser alvo de um programa de relações públicas.

O marketing de serviços é um campo de investigação recente e ainda em fase de estruturação, afirma RODRIGUES (1983, p.3). As empresas de serviços são, via de regra, baseadas em equipamentos ou sobre mão-de-obra/pessoas, complementa com muita propriedade, COBRA e ZWARG, apud SCARPIN (1986, p.2).

Ainda segundo os mesmos, apud SCARPIN (1986, p.101), o que o consumidor busca no serviço são benefícios. Os consumidores de serviços contábeis, algumas vezes desconhecem os benefícios do serviço comprado, por isso não o valorizam, conseqüentemente o profissional que executou o serviço também não é valorizado, pois as pessoas não compram o que os serviços fazem, mas o que elas querem ou esperam que eles façam por elas. Afinal, quando os serviços oferecidos vendem mais? Sobretudo quando as características dos serviços atendem às expectativas do consumidor. Quando as funções desempenhadas pelo serviço atendem às necessidades de uso mas, principalmente, quando os benefícios são identificados corretamente por clientes e usuários. Para isso, é preciso saber como os consumidores estão recebendo os benefícios e se há necessidade de benefícios adicionais, virem a serem proporcionados.

Desta forma, vê-se que o marketing de serviço pode auxiliar na elaboração de uma proposta que leve à satisfação dos usuários da contabilidade e ao mesmo tempo à satisfação do profissional da área. Entende-se que a função e atividade do contabilista se encontram profundamente vinculadas ao tipo de negócio do cliente. O seu assessoramento influencia decisivamente uma série de elementos que, tomados em forma conjunta, representam a coluna vertebral da estratégia empresarial.

Uma tendência do mundo moderno é o consultoria contábil, pois embora as empresas estejam reduzindo seus quadros de funcionários, não hesitam em contratar consultores externos levando a este setor um grande desenvolvimento. Corroborando com este pensamento, D’UBALDO (1994, p.34) afirma que estamos "en una fase de actividad frenética, nunca habiá visto tanto movimiento en este sector".

 

3. A PUBLICIDADE E O CÓDIGO DE ÉTICA DO CONTABILISTA

Muitas vezes confunde-se marketing como sendo mera propaganda ou publicidade, e encontra-se alguns contabilistas afirmando que não se utiliza de marketing por proibição do Código de Ética Profissional. A resolução 803/96 do Conselho Federal de Contabilidade, admite ao contabilista no art. 3º item I "a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes" numa postura de "informar o público", e proíbe apenas "anunciar em qualquer modalidade ou veículo de comunicação conteúdo que resulte na diminuição do colega, organização contábil ou da classe". E ainda no art. 8º constata-se que é vedado ao contabilista oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou concorrência desleal.

É possível, e deve ser feito o planejamento da propaganda. O contabilista não pode basear sua propaganda somente em preço, pois usando o aviltamento de preços, irá disparar a guerra da concorrência desleal. O aviltamento de honorários é uma forma de suicídio profissional afirma COELHO (1975, p.46), mas nada impede que o mesmo divulgue os seus serviços, informe o público sobre leis, regulamentações, enfim, como o seu produto agrega valor à entidade, complementa.

É necessário se fazer conhecido, criar uma marca, sem contudo ferir o Código de Ética do Contabilista. O código, em nenhum momento, proíbe o uso de conceitos mercadológicos. A preocupação deste é com respeito a um procedimento ético para que não se corra o risco de uma degradação profissional. E como afirma MULA (1994, p.27), apud SCARPIN (2000): é nesse amplo horizonte do mercado livre que são criadas as maiores oportunidades de nossa profissão, como importante comunicadora de informações precisas, fidedignas e oportunas, com credibilidade e portanto, indispensáveis para a tomada de decisões.

O fato é que a manutenção de altos padrões profissionais e éticos é da máxima importância para que a conceituação da qualificação contábil seja reconhecida pelos seus usuários, e o contabilista que tiver este reconhecimento atrairá o respeito necessário para dar-lhe proeminência no ambiente dos negócios.

 

4. O CLIENTE DO PROFISSIONAL DA ÁREA CONTÁBIL

Segundo HANSEN (2002, p. 79), a origem da contabilidade moderna ocorreu como resposta às necessidades dos mercados italianos dos séculos XII e XIII. O período de 1494 a 1800, conhecido como a era da Estagnação, foi para a contabilidade um período de consolidação. A Revolução Industrial na Inglaterra trouxe uma nova evolução para a contabilidade em função do crescimento das empresas e da complexidade das operações envolvidas.

Desta forma, o cliente passou a ser o usuário da contabilidade e o objetivo maior dos contabilistas e das empresas de serviços de contabilidade, sendo o centro de tudo, e é o fator de existência e da permanência da profissão no mercado consumidor de serviços. Para VICTORINO (1999, p.75), o contador deve definir os serviços para seus clientes, conhecer suas necessidades, suas expectativas e atendê-las da melhor forma possível, mostrando assim seu diferencial na prestação de serviços, canalizando a demanda, complementando e lembrando sempre que se você não cuidar do seu cliente, alguém o fará.

Pode-se, assim, repetir as palavras de CASSARRO (1994, p.68) de que a realidade de hoje, mais do que nunca, é que a empresa precisa estar voltada para fora, buscando saber permanentemente o que o mercado quer, onde ele quer, como quer, que preço o cliente está disposto a pagar, etc. O objetivo do serviço deve ser sempre o cliente. É preciso assistir ao cliente... para que ele possa ter satisfação com a aquisição do serviço, dependendo do enfoque de distribuição ou de uso respectivamente, afirma COBRA e ZWARG (1986, p.99), apud SCARPIN (2000).

O mercado contábil é protegido por lei, portanto um mercado potencial. O artigo 15 do Decreto-lei n.º 9295/46 faz a exigência que os serviços contábeis sejam executados por profissional habilitado: Os indivíduos, firmas, sociedades, associações, companhias e empresas em geral, e suas filiais, que exerçam ou explorem, sob qualquer forma, serviços técnicos contábeis, ou a seu cargo tiverem alguma seção que a tal se destine, somente poderão executar os respectivos serviços depois de provarem, perante os Conselhos Regionais de Contabilidade, que os encarregados da parte técnica são exclusivamente profissionais habilitados e registrados na forma da lei.

Apesar da proteção legal ao mercado, isto não basta para ser competitivo nele. A palavra serviço significa servir, ou seja, proporcionar um trato diferenciado. O elemento chave é o cliente como meta e fim principal. O contabilista tem a responsabilidade de criar nele a necessidade de utilizar o seu serviço, fator importante num processo de compra. Depois, há o desencadeamento de todo o processo de compra: o cliente busca informações a respeito de ofertas dos concorrentes, verifica as condições de preço e pagamento e avalia os benefícios que pode obter. Esta é a fase mais importante.

Finalmente, seleciona o que mais lhe trará vantagens. Observa-se que o mercado de serviços de contabilidade é bastante amplo, mas é preciso considerar a satisfação do cliente e mostrar de forma contínua os aspectos positivos do serviço prestado, de tal forma que o mesmo possa ficar satisfeito, como afirma LAS CASAS (1991, p.35): a companhia deve mostrar aos clientes a mais clara, mais sincera mensagem... Deve-se mostrar aos consumidores os benefícios que recebem pelo dinheiro que eles pagam.

Também verificamos que VICTORINO (1999) afirma que se deve perceber a necessidade do cliente e procurar atendê-la e MARION (1998) da mesa forma afirma que se não mudarmos o foco para o cliente, nossa imagem, marca, sucesso, ficarão comprometidos.

 

5. CONCLUSÃO

Observamos que na profissão contábil o marketing tem papel fundamental, pois é através do mesmo que se busca a satisfação do cliente, alcançando os objetivos propostos pela organização ou indivíduo, gerando a valorização profissional da categoria. Na verdade, com os avanços tecnológicos e a globalização, o marketing passou a ser uma força somatória, onde devem estar também a qualidade dos serviços e a inovação, pois só assim os contabilistas ou as empresas de serviços contábeis estarão preparados para enfrentar de uma forma competitiva, desenvolvendo serviços de qualidade, difundindo novas tendências, gerando comunicação e, principalmente, uma ação de comprometimento entre o prestador de serviços contábeis e o usuário. E este usuário o valorizará, da mesma forma que toda a sociedade.

A venda dos serviços contábeis ainda se dá pelo contato direto e/ou indicações de outros clientes, o que comprova que o contabilista utiliza muito pouco o marketing para promover seus serviços e sua pessoa. Poucos fazem propaganda ou buscam publicidade para si ou para seu escritório. O contato do contabilista com seus clientes, na maioria das vezes, é limitado à parte técnica.

Nos resultados das pesquisas, as maiores dificuldades encontradas pelas empresas de serviços contábeis, sob a visão do contabilista, é a falta de conhecimento, por parte do cliente, sobre as vantagens dos serviços prestados, e a mudança constante nas leis, o que se considera como uma das resultantes da falta de um programa de marketing sobre os serviços contábeis. Apesar da contabilidade ser uma ciência muito antiga, o contabilista limita o seu marketing à preparação das funções tradicionais da atividade e isso traz pouca satisfação, conseqüentemente pouca valorização profissional.

Os relatórios apresentados ao cliente: balancetes, demonstrações contábeis, relatórios gerenciais e fluxo de caixa são pouco utilizados pelos gerentes das empresas, que têm pouco conhecimento do amplo leque de informações e dados que o contabilista pode fornecer à empresa e acreditam que os serviços prestados se limitam a atender a legislação, deixando de conhecer os inúmeros relatórios de apoio gerencial que podem ser gerados através da contabilidade, exatamente por falta de marketing, por parte do contabilista. É preciso divulgar isso ao cliente, pois a tendência é o contabilista passar de executor de contabilidade para um consultor gerencial, pois através de suas orientações e informações, a administração de uma entidade pode ser desenvolvida de forma coerente e exata, dispondo de seus recursos reais e calcando-se legalmente em leis e incentivos que a amparam.

Os contabilistas podem e devem assumir posições de liderança, dentro e fora das empresas, propondo as reformas que julgarem necessárias. Liderança é conquistada com trabalho, ousadia e percepção de determinadas situações. Os contabilistas possuem espírito empreendedor, uma vez que a grande maioria aceita e adota o rápido avanço da tecnologia da informação. A inserção do marketing, como instrumento de apoio, se torna um desafio, a fim de enaltecer e levar a novas conquistas e buscar cada vez mais a valorização profissional da classe.

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEUREN, Ilse Maria. Gerenciamento da InformaçãoUm Recurso Estratégico no Processo de Gestão Empresarial. São Paulo: Atlas, 1998.

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COBRA, Marcos. Administração de Marketing. 2º Edição. São Paulo: Atlas, 1992.

COELHO, José Washington. Ética Profissional. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, ano IV, n.º 14, 1975.

HANSEN, Jens Erik. A evolução da contabilidade: da idade média à regulamentação americana. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, ano XXXI, nº 134, p. 79, mar/abr., 2002.

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KIESO, Donald E.; WEYGANDT, Jerry J. Intermediate Accounting. 9ª Ed. New York: John Wiley & Sons, INC, 1998.

KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 7ª Ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1999.

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LEONE, Jorge S. Guerra. Os vários tipos de demonstração de resultados e a flexibilização da informação. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, ano XXV, nº 98. mar/abr., 1996.

MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.

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MILIONI, B. Marketing do Treinamento. Coleção Empresas & Gerentes, vol. 6. São Paulo: Nobel, 1989.

MOLLER, C. O lado humano da qualidade. São Paulo: Pioneira, 1992.

NASI, A.C. A Terceirização dos Serviços Contábeis: aspectos mercadológicos. Revista Brasileira de Contabilidade. Brasília, ano XXV, jan/fev., 1996.

RODRIGUES, Maria M. E. Mischan. "Marketing de serviços públicos". Revista Mercado Global, nº 54, p.55-58, maio/junho, 1983.

SCARPIN, M. Aparecida; RAMOS Mariaângela; TAVARES, C. Nascimento. Pesquisa: Utilização do Marketing nos Escritórios de Contabilidade de Londrina . Londrina: 1999.

SCARPIN, M. Aparecida. Utilização de Marketing pelas Empresas de Serviços Contábeis de Londrina - PR . Dissertação de Mestrado - Universidade Norte do Paraná. Londrina: UNOPAR, 2000.

VICTORINO, Carlos. R.. Qualidade na Organização e nos Serviços Contábeis: Marketing em Serviços. Blumenau: Ed. e Gráf. Odorizzi Ltda., 1999.


Vicente Pacheco

Vice-Presidente de Desenvolvimento Profissional do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná.

e-mail: profissional@crcpr.org.br

 

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