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Artigo - Suporte do desenvolvimento

Curitiba, 12 de novembro de 2012.
Diante do desempenho dos nossos atletas em Londres, onde o Brasil terminou em 22º lugar, com 3 medalhas de ouro, 5 de prata e 9 de bronze, é natural questionarmos como será em 2016, quando, pela primeira vez, sediaremos uma Olimpíada.

O governo não deseja fiasco: está investindo pelo menos R$ 2,5 bilhões com a meta de situar o país entre os 10 primeiros nas disputas olímpicas e entre os cinco nas paraolímpicas. O Plano Brasil Medalhas prevê o patrocínio de "bolsa-pódio" para atletas de ponta.

A iniciativa pode até dar resultado: alguns desportistas receberão cerca de R$ 15 mil mensais, seu técnico R$ 10 mil e R$ 5 mil a equipe de apoio.

Trata-se, porém, de estratégia emergencial, para que não passemos vergonha. O megaevento poderia ser uma oportunidade para lançarmos as bases de uma nova ordem, superarmos omissões e contradições históricas, seguindo os passos de tradicionais campeões olímpicos.

Não foi por acaso que os EUA conquistaram 104 medalhas – 46 de ouro, China (88 -38 de ouro), Grã-Bretanha (65 - 29 de ouro), Rússia (82 - 24 de ouro), Coréia do Sul (28 - 13 de ouro), Alemanha (44 - 11 de ouro), França (34 – 11 de ouro), Itália (28 - 8 de ouro), Hungria (17 - 8 de ouro), Austrália (35 - 7 de ouro), Japão (38 – 7 de ouro), entre os primeiros. Da mesma forma, não foi por falta de sorte que os atletas de 120 países não conseguiram uma única medalha.

Fatores econômicos dão um tom da competitividade esportiva, sem dúvida. Mas como assimilar nossas minguadas vitórias, se somos uma das 10 maiores economias do mundo? E nações do porte da Suíça, 33º em Londres, Canadá (36º), Suécia (37º)... Como justificar, por outro lado, o papel olímpico de frágeis economias, a exemplo de Cuba (16º lugar), Irã (17º)...

Poder econômico não é tudo. Irônico, o bicampeão dos 100 e 200 metros, Usain Bolt, fala da performance da Jamaica, 18ª colocada, 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 4 de bronze. Confessa que, ao longo da vida, comeu muita batata-doce, um dos principais alimentos em seu país. A explicação plausível, porém, reside nas disputadas provas escolares nacionais que selecionam a elite de corredores que representa o país.

Pesam, pois, também fatores políticos, sociais e culturais: incentivo à prática esportiva, ambiente favorável, infraestrutura e, principalmente, o cultivo do esporte nas escolas.

Voltando ao berço das olimpíadas, a Grécia antiga, veremos que os jogos eram elemento de uma civilização que valorizava a virtude, o conhecimento, a arte, a espiritualidade.

Os países que hoje apresentam os melhores índices em competições de alto nível são indiscutivelmente aqueles que mais se esforçam para combinar as potencialidades de áreas-chaves - educação, trabalho, esporte, cultura. Em todas elas é preciso disciplina, estudo, treino, determinação, o segredo de americanos, europeus, chineses, japoneses...

Nunca tivemos, no Brasil, um plano sério centrado na valorização de talentos esportivos, nem mesmo no futebol. Nunca contamos, na verdade, com um plano nacional baseado no desenvolvimento humano. Seguimos ao sabor de programas de governos, via de regra preocupados apenas com resultados econômicos. Educação – o suporte da transformação social – nunca foi prioridade em nossas políticas públicas. A não ser em discursos de campanha.

Aí estão os números: Ainda temos 1, 4 milhão de crianças de 7 a 14 anos analfabetas. Os analfabetos acima de 15 anos somam 12,9 milhões; 16,3% dos jovens de 15 a 17 anos não estão estudando; somente 30,8% das crianças de zero a 4 anos frequentam creche ou pré-escola (o índice em países desenvolvidos é de 81%): Atenção à primeira infância é decisiva à formação da personalidade. Apesar do Prouni, Fies, Reuni, só 17% dos brasileiros de 18 a 24 anos estão cursando ou já concluíram o ensino superior.

O investimento total na área não passa de 5,5% do PIB, enquanto países que enfrentam o desafio com seriedade destinam duas, três vezes mais.

É tarde para transformar nossas escolas em celeiros de atletas para a Rio 2016, mas não para repensar princípios capazes de produzir mais brasileiros vencedores nos esportes e em todos os campos.

Lucélia Lecheta
Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná - CRCPR
E-mail: lucelia@lechetacontabilidade.com.br


 

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